DOWNLOAD: IKE TURNER & THE KINGS OF RHYTHM - A BLACK MAN'S SOUL - 1969
http://www.badongo.com/pt/file/2551192

PERMACULTURA




Permacultura é o planejamento e a manutenção conscientes de ecossitemas agriculturalmente produtivos, que tenham a diversidade, estabilidade e resistência dos ecossistemas naturais. É a integração harmoniosa das pessoas e a paisagem, provendo alimento, energia, abrigo e outras necessidades, materiais ou não, de forma sustentável.

O design na permacultura é um sistema para unir componentes conceituais, materiais e estratégicos em um padrão que opera para beneficiar a vida em todas as suas formas.

A filosofia por trás da Permacultura visa trabalhar com a natureza, e não contra esta. É um trabalho de observação do mundo natural (...) Necessitamos observar os sistemas em todas as suas funções, ao contrário de exigir somente um produto destes.

O objetivo é a criação de sistemas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis; que supram suas próprias necessidades, não explorem ou poluam e que, assim, sejam sustentáveis a longo prazo.

Acredito que a harmonia com a natureza é possível somente se abandonarmos a idéia de superioridade sobre o mundo natural. Lévi-Strauss disse que o nosso erro mais profundo é o de sempre julgarmo-nos "mestres da criação", no sentido de estarmos acima dela. Não somos superiores a outras formas de vida; todas as criaturas vivas são uma expressão de Vida. Se pudéssemos ver essa verdade, poderíamos entender que tudo que fazemos a outras formas de vida, fazemos a nós mesmos.

A Permacultura é um sistema pelo qual podemos existir no planeta Terra utilizando a energia que está naturalmente em fluxo (...) sem destruirmos a vida na Terra.

(...) em culturas humanas sustentáveis, as necessidades energéticas do sistema são supridas pelo mesmo sistema. A agricultura moderna de latifúndios é totalmente dependente de energias externas. Essa mudança de sistemas permanentes produtivos (onde a terra pertence a todos) para uma agricultura anual e comercial (onde a terra é considerada uma mercadoria), envolve a mudança de uma sociedade de baixo consumo energético para uma de alto consumo, com o uso da terra de uma forma exploradora e destrutiva, com uma demanda de fontes de energia externas, principalmente supridas por países do "terceiro mundo", como combustíveis, fertilizantes, proteína, trabalho (...)

A produção agrícola convencional não reconhece seus custos verdadeiros: a terra é minada em sua fertilidade para produzir grãos e vegetais anuais (...) a terra sofre erosão pelo excesso de animais nela mantidos (...) terra e água são poluídas com produtos químicos.

Não podemos mais arcar com os custos verdadeiros de nossa agricultura. Ela está matando nosso mundo, e nos matará.

(...) tudo de que necessitamos para uma vida boa está nos esperando. Sol, vento, pedras, mar, pássaros e plantas nos cercam. A cooperação com todas essas coisas nos traz harmonia...



NÁUFRAGOS - LEANDRO PINTO - 2006

VIDA





Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, então ela morre; o mesmo acontece com um homem.


Henry David Thoreau











DOWNLOAD: LES WANTED - NEW TIMES - 1977 - 192Kbps





DOWNLOAD: BOHANNON - STOP & GO - 1973 - 256Kbps
http://rapidshare.com/files/90309684/StopGo1973.rar

A BURGUESIA FRAUDULENTA & A BANDIDAGEM FARDADA


Seguem trechos de entrevista concedida pelo sr. Maurício Campos, membro do Comitê de Comunicação da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência.


Pergunta – Qual é a política de segurança que existe hoje no Rio de Janeiro e qual a sua opinião sobre sua aplicabilidade?

— Aqui no Estado do Rio, e poderia dizer até no país, existe uma política de segurança e existe também uma prática das forças de segurança, que você nem pode chamar de política. Grande parte das forças de segurança é formada por grupos mafiosos, grupos que extorquem, têm negócios próprios, que exploram diversos serviços escusos e que em grande parte vivem de extorsão dos próprios bandidos não-fardados, dos próprios criminosos, do tráfico e por aí vai. Eu sempre coloco isso no início porque quando a gente fala em “política de segurança pública” parece que estamos tratando de um Estado de Direito, o que não é verdade. No Brasil não é isso.

O governo estadual, em particular, tem dado cada vez mais poder a essa polícia corrupta para executar uma política baseada no extermínio, no assassinato, na execução sumária. Por isso eu digo, em poucas palavras: é uma política de extermínio baseada na conivência com a corrupção e baseada na força bruta e no assassinato. Tem uma política que diversos setores chamam de criminalização da pobreza que não é exclusiva da área de segurança. É uma política que envolve os grandes meios de comunicação e envolve os governos, que têm estimulado isso claramente, não só a criminalização da pobreza, mas eu diria que o preconceito de corte fascista.

Pergunta – E qual a parcela de responsabilidade do monopólio da imprensa nessa situação?

— O monopólio dos meios de comunicação tem grande responsabilidade nisso. Sempre associando no noticiário a questão da criminalidade ao jovem negro, ao morador da favela. E por trás disso tem outra coisa, que é a influência do USA, que é a orientação de como as forças de segurança devem agir na América Latina. Isso não é invenção, está muito longe de ser uma teoria da conspiração. Existem dados concretos em relação a esse intercâmbio, a esse entrelaçamento entre as forças repressivas aqui no Brasil e a orientação estratégica militar do USA.

O Brasil, hoje, atua no Haiti a partir de uma estratégia traçada pelo USA, há muito tempo. Aquele Estado foi o primeiro a transformar o Haiti num campo de experimento de guerra urbana. Quer dizer, o Brasil está aprendendo e desenvolvendo técnicas próprias que já começa a usar. O próprio Beltrame [Secretário de Segurança Pública do RJ, José Mariano] já declarou que muitas das táticas e ações utilizadas na operação do Alemão foram desenvolvidas no Haiti pelas tropas brasileiras. Outro elemento são os diversos acordos e encontros com autoridades ianques, que desde que era candidato o Sérgio Cabral vem mantendo, e com autoridades colombianas. Sendo que todo mundo sabe que o governo colombiano é dominado por pára-militares, os que chegaram ao poder através do Uribe [Presidente Álvaro], que é o governo mais próximo do USA. Politicamente, militarmente, dentro da América Latina é o governo mais próximo. E o Sérgio Cabral elegeu a Colômbia, o governo colombiano, e a forma de agir do Exército e da Polícia colombiana como modelo para o Brasil. Visitou a Colômbia várias vezes. Fala isso abertamente, que vai tomar a política colombiana como modelo, em particular o modelo de Medellín, para aplicar aqui no Brasil.

Recentemente, no dia 17 de maio, o Sérgio Cabral se encontrou, aqui no Rio, com a Anne Peterson [embaixadora e secretária-adjunta do Bureau de Assuntos Internacionais de Entorpecentes e Aplicação da Lei do governo americano]. Na ocasião, oficialmente foram fechados acordos de treinamento de policiais do Rio de Janeiro pelo FBI. Ela é a principal conselheira da Condoleezza Rice, secretária de Estado do USA, para assuntos de drogas e “combate” a drogas no mundo. Quer dizer, uma pessoa do alto escalão do governo Bush se encontrou com Sérgio Cabral para firmar um acordo de colaboração direta do governo ianque com o governo do Estado do Rio de Janeiro. O documento final desse encontro não foi divulgado, mas a relação é clara. Não foi por acaso que, no mesmo dia em que se encontrou com Anne Peterson, o Sérgio Cabral fez um encontro com empresários no BNDES e utilizou aquela expressão: “A pressão no Complexo do Alemão não iria ceder porque o Alemão era um “foco de terroristas e gente do mal”. (?!) Exatamente com essas palavras. “Foco de terroristas e gente do mal”. Exatamente o discurso de George Bush, do governo ianque, em relação ao Afeganistão, ao Iraque, Faixa de Gaza…

Pergunta – Quais foram as denúncias dos moradores do Alemão?

— É o que tem sido denunciado por alguns órgãos e principalmente por alguns jornalistas da imprensa de São Paulo. A imprensa do Rio fez claramente um grande acordo de publicar muita pouca coisa das denúncias. Roubo, violação de domicílio, arrombamento de casas que estavam fechadas, incêndio de automóveis, arrombamento de automóveis, furto, espancamento, muita gente baleada e execuções sumárias. Vários relatos de execuções sumárias, de pessoas que já estavam rendidas. Teve um depoimento de que três rapazes já estavam rendidos numa casa, cercados. “Vamos sair, vamos sair…”. Saíram, os policiais mandaram eles se ajoelharem e fuzilaram na hora. Isso aí está em vários depoimentos. Esses depoimentos não estão sendo muito levados em consideração, estão pegando mais pelos laudos. O laudo já indica bem que foi execução, a maior parte pelas costas — uma prática comum da polícia: pegar a pessoa, espancar e mandar correr. Quando a pessoa corre, é fuzilada. Matam pelas costas. A outra é mandar ajoelhar e fuzilar. Então um laudo que indica muitos tiros pelas costas ou então tiro de cima para baixo geralmente é uma ou outra modalidade de execução. E outra modalidade muito comum é deitar de bruços e dar um tiro na nuca. 16 dos 19 corpos baleados pelas costas tem muitos tiros à curta distância. Se juntar esses laudos com os depoimentos, o fato de que quase todo mundo ou todos foram executados não vai dar para negar. Agora vamos ver até que ponto a investigação vai ser séria. Vai depender muito da pressão dos movimentos sociais e da pressão internacional.

Pergunta – Qual é a lógica dessa ação da polícia? É controlar, manter as pessoas com medo?

— São diferentes bandos que vivem da extorsão. Um bando policial para extorquir o tráfico de uma favela, por exemplo. Qual é a melhor maneira de negociar? A violência. Eles têm que mostrar que matam friamente, que são capazes de matar muito, e poder extorquir muito. A moeda de troca da polícia é a violência. O principal não é existirem policiais corruptos. É existir um sistema dentro do Estado que permite que esses policiais corruptos não apenas fiquem impunes, mas se reproduzam cada vez mais e tenham cada vez mais poder dentro da polícia. Hoje, a parte corrupta da polícia é tão poderosa que até os policiais que não são corruptos têm medo de fazer qualquer coisa. Não vou dizer que todos os policiais estão metidos com corrupção, mas aqueles que não estão, não têm poder nenhum. Tem comandantes que são líderes de verdadeiras quadrilhas. Quando sai de um batalhão leva com ele um monte de gente. Porque não querem se desfazer da quadrilha. Tem aquele Garcia, do 6º BPM, Álvaro Garcia, que era major quando teve aquele espancamento na Cidade de Deus. O cara chegou a coronel e ganhou o comando de um batalhão. Se fosse uma polícia, mesmo dentro das normas burguesas, jamais o cara seria promovido, ia ser afastado. Mesma coisa o Murilo Leite. Aonde vai leva o pessoal dele. Geralmente o policial não corrupto prefere até abandonar o trabalho na rua, arranja um jeito de ficar na burocracia.

Pergunta – Como isso pode funcionar?

— Existe uma orientação do Estado de permitir que essas máquinas, essas quadrilhas, dominem completamente e continuem com esse poder. Essa orientação vem da classe dominante, que fala assim: “Vamos trabalhar com essa bandidagem mesmo. Esses são os nossos protetores”. Também tem relação pessoal. Grande parte dos comandantes tem relação direta com políticos, empresários, familiares… É uma coisa muito imbricada. O que existe no Brasil é uma burguesia mafiosa. Uma burguesia que se organiza de maneira mafiosa e age de maneira mafiosa. É só ver os escândalos de corrupção que estão aí para entender tudo. Dá para ligar uma coisa com a outra. Eles agem de maneira mafiosa nas licitações públicas, agem de forma mafiosa nas eleições, agem de forma mafiosa na repressão policial… Toda forma de agir é assim. Com o objetivo claro de se manter no poder e continuar gerindo seus lucros cuja grande porcentagem é obtida de forma fraudulenta e irregular.

Pergunta – Você fez uma análise mostrando que é a primeira vez que o Estado justifica uma chacina. Pode explicar melhor?

— Se a gente pegar outros casos de matança cometidos pela polícia na história do Rio de Janeiro, matanças com muita gente, até então nunca o Estado chegou e disse que os policiais envolvidos estavam certos. Chacina da Candelária. Eram policiais contratados por comerciantes para “limpar” o centro das crianças de rua. Aí está: agiram contra a lei, não estavam fardados, e tal. Mesma coisa em relação a Vigário Geral, que embora tenham ido fardados, o Estado disse que eles não estavam em uma operação permitida. Disse que era uma operação ilegal. Nas outras grandes chacinas, a mesma coisa: nunca o Estado falou que eles estavam fazendo o serviço deles. Em ocasiões menores, sim, eles falavam isso. Agora, nessa chacina do Alemão, não. Até agora o discurso está sendo raivoso. “São todos bandidos”. Nem pensa “não, talvez…”. Mas não, o governador diz que todos são bandidos. Está nos jornais de 6 de julho de 2007: “A polícia fez certo. Vamos continuar”. Isso é um dado que mostra a escalada no sentido de liberar a polícia para fazer tudo.

Pergunta – Então a intenção é continuar?

— Eles não fariam um discurso tão duro se por trás disso não estivesse a intenção de continuar com essa política. Eles não arriscariam um desgaste político muito grande… E se começam a aparecer provas, como já estão aparecendo, de execução sumária? Eles vão ficar completamente… Mas não querem saber… Devem ter por trás muitas garantias do USA, para bancar esse jogo violento. Estão fazendo isso nesse momento, e ainda tem a questão do PAN. Estão todos olhando para os Jogos Pan-Americanos, e fazendo tudo para ele acontecer… Foi a ocasião que eles escolheram para essa radicalização. Agora, vai continuar. Porque essas armas compradas para o PAN permanecerão nas mãos dessa polícia. Assim como todos os equipamentos.

Pergunta – Qual o interesse do USA para manter esse estado de coisas?

— Olha, o interesse maior do USA é colocar em prática uma política mundial de militarização de todos os conflitos. Seja em países da Ásia, da África ou da América Latina, a idéia e a política que o USA tem implementado, e não é coisa só dos republicanos, não. O Clinton já tinha bombardeado o Sudão. É a questão de militarizar totalmente todos os conflitos. É uma política de guerra total. E utilizam diversos pretextos para isso. Principalmente dois: “terrorismo” e “tráfico de drogas”. E cada vez mais misturados. Os discursos estão cada vez mais misturando uma coisa com a outra. E o Cabral toda hora usa a palavra “terrorista” no lugar da palavra “traficante”. Está ensinando a alguns subalternos a usar esse discurso também. Toda hora trocar “traficante” por “terrorista” para se adaptar ao discurso dominante do USA. É uma política diante dos problemas sociais que o capitalismo está passando, com todo o desemprego e os conflitos sociais que isso gera, e passa a enfrentar isso com força bruta. E mais particularmente devido aos problemas específicos decorrentes do declínio dessa potência mundial.

A única vantagem que o USA têm hoje é a força militar. Tudo o mais ele perdeu. Não tem mais vantagem tecnológica, não tem mais vantagem econômica. Mas a vantagem militar, tem. Isso é inegável, é a maior de todas. Então, quanto mais avança a situação de guerra, de conflito no mundo, os setores do USA que detêm as maiores corporações do capital monopolista — que giram em torno do aparato militar, que são os mais poderosos — reúnem também mais condições de obter lucros.

Pergunta – Por último, pediria que você comentasse a foto daquele policial fumando charuto, caminhando ao lado de uma vala de corpos, numa quase obsessão do monopólio da imprensa pela figura que ele representa.

— Primeiro, aquele não é um policial qualquer que está fumando charuto. E nem é o charuto. Esse é apenas o lado pitoresco da história. O mais importante é saber que policial é aquele. É um policial altamente treinado, recebeu curso da Swat…

Pergunta – ...que é mais um indício de relação com o USA.

— Exatamente. E que abertamente fala que gostaria de estar na Faixa de Gaza. O Torres, esse policial, se ofereceu como mercenário para lutar no Iraque. Sabe essas empresas que contratam mercenários? Ele se ofereceu. Isso saiu na imprensa há algum tempo. Então, o importante ali é saber quem é aquele cara. E encarnando a figura do guerreiro, que dá tiro, que mata mesmo. E que vê isso como uma coisa tranquila. Deve ter parte da sociedade achando que diante disso tudo “a gente precisa de uma pessoa dessa, que mata friamente, que não se abala, que depois de matar ainda fuma um charuto. É o nosso Rambo”. Isso vem sendo trabalhado há muito tempo. O próprio filme Rambo é um exemplo dessa figura cultivada pelo monopólio da imprensa ianque.

Pergunta – Quando teve a outra ditadura, também se montou um sistema de comunicação que, a pretexto de integrar o Brasil, serviu de sustentação do regime. Você acha que hoje em dia acontece a mesma coisa? Seria possível sustentar esse modelo sem o aparato ideológico?

— Não. Sem essa imprensa, que inclusive é a mesma estrutura montada pelos militares, não seria possível. A Rede Globo continua dominando hoje. Com métodos mais sofisticados, como se fosse um pouco mais independente. De vez em quando solta uma matéria polêmica, mas na verdade é a mesma coisa. No dia-a-dia o que a gente vê… A questão da identificação, que sempre mostra cena de favela e tiro, favela e violência. É difícil ter um “Jornal Nacional” ou um “RJTV” sem imagem de favela. E, quase sempre, falando de tiro, de confronto. Favela e tiro, favela e confronto. Seria muito difícil criar uma justificativa social para tanta matança, tanta execução sumária, se não se criar na opinião pública pelo menos a seguinte visão: “Esse é o preço que a gente tem que pagar para a cidade não ser dominada pelos traficantes”. Mas já está dominada. Porque os grandes traficantes não estão na boca, são as grandes redes mafiosas que estão por aí, inclusive a polícia.

Pergunta – Na Rede Contra a Violência vocês, de fato, incomodam o poder. Vocês tentam organizar as massas, promovem atos, manifestações públicas, vão para as ruas. Eu soube que você já foi ameaçado pelo Comando de Caça aos Comunistas, além de ter recebido outras tentativas de intimidação. Pode me contar como foi?

— Foi em 2000. Fizemos uma manifestação sobre o aniversário de 7 anos da chacina de Vigário Geral. A manifestação foi massacrada pela imprensa. O próprio Garotinho, na época, foi à imprensa dizer que era uma manifestação organizada junto a traficantes, um troço muito pesado. Não houve repressão física, mas houve uma forte repressão da imprensa reacionária. Mas mesmo assim a gente conseguiu fazer a manifestação. Fiquei até impressionado, achei que ninguém ia. E eles avisaram: vai ter não sei quantos policiais à paisana filmando e fotografando porque a gente sabe que isso está sendo organizado por traficantes. Isso foi em agosto. Em setembro a gente fez uma manifestação na Praça XV, em frente à Bolsa de Valores. Quando a gente chegou, o pessoal ficou com medo e fechou a Bolsa. Aí a gente notou dois caras, de longe, tirando foto da gente. Estavam escondidos atrás do chafariz. Aí eu falei: “Vamos dar uma dura neles só pra mostrar que a gente não está de bobeira”. Aí fomos dois companheiros de cada lado e pegamos eles de surpresa. Um ficou apavorado e correu para Praça XV. O outro correu para lado do Paço Imperial. Fomos atrás desse. Ele saiu andando, quase correndo, e a gente atrás. Aí ele entrou num táxi, mas se deu mal porque a rua estava parada — ali está sempre engarrafado —, fechou o vidro e trancou a porta. Aí um companheiro chegou e deu uma porrada no pára-brisa e quebrou o pára-brisa. O cara ficou assustado. Eu disse: “Olha, você estava fazendo uma coisa que não deve. Fotografando a gente”. Ele disse “não, não, eu sou um cidadão, sou turista”. “Mas turista não fica fotografando escondido. Olha, tem um monte de gente aqui querendo te bater. Me dá seu filme que tá tranquilo”. Aí ele me deu e foi embora. Depois que revelei deu para ver que ele estava há pelo menos duas horas tirando foto da gente. Dois dias depois chegou a carta lá em casa. Tinha o remetente do meu local de trabalho, para minha casa, assinado Carlos Coimbra Cabral, que é um nome fictício, mas tem a sigla CCC. E a carta era profissional, dando passo a passo de onde eu morava, a placa do meu carro, a empresa onde eu trabalhava, o que eu tinha feito na última semana, inclusive o ato na Praça XV, dizendo: “Não gostei do que você fez, atacou um trabalhador fazendo o seu serviço, isso não se faz”. E terminava: “Não estamos dormindo. Nosso braço é longo. Assinado: Comando de Caça aos Comunistas”. Aí eu denunciei, o Tortura Nunca Mais divulgou uma nota e depois andei recebendo uns telefonemas, mas foi diminuindo.



DOWNLOAD: CAETANO VELOSO - TRANSA - 1972







DOWNLOAD: THE SUGARMAN 3 - SOUL DONKEY - 2000
http://sharebee.com/5a318e13

ESPREMEDOR DE CULHÕES




Danforth pendurou os corpos, um a um, depois de passarem pelo espremedor. Bagley estava sentado, perto dos telefones.
- Quantos tem?
- 19. Pelo jeito o dia vai ser bom.
- É, , e tá com cara. Quantos colocamos ontem?
-14.
- Legal, legal. Continuando assim, vai ser bom mesmo. O meu grilo é que a coisa no Vietnã é bem capaz de parar - disse Bagley, o dos telefones.
- Deixa de ser bobo - tem muita gente lucrando e dependendo dessa guerra.
- Mas a Conferência de Paz em Paris...
- Você hoje não está bom, Bag. Quem é que não sabe que eles passam o dia inteiro sentados, dando risada, recebendo grana pra não fazer nada e depois indo à noite a tudo quanto é boate? Essa cambada tá com a vida ganha. A vontade que têm de terminar a Conferência de Paz é igual à nossa de liquidar com a guerra. Tá todo mundo engordando, sem se arranhar. Uma verdadeira beleza e se encontrarem uma forma de chegar por acaso a um acordo, sempre vão aparecer outras. A terra tá cheia de lugar pronto pra explodir.
- É, acho que vivo me preocupando à toa.
Um dos três telefones da mesa tocou. Bagley atende.
- AGÊNCIA SATISFAÇÃO GARANTIDA. Bagley, às suas ordens. Fica escutando.
É. Sim, nós temos um ótimo contador. Salário? 300 dólares nas duas primeiras semanas, 300 cada bem entendido. O pagamento das duas primeiras fica pra agência. Depois vocês reduzem pra 50 por semana ou põe na rua. Se puserem na rua depois das duas semanas, VOCÊS é que recebem cem dólares da gente. Por quê? Ora, que diabo, então não está vendo que a idéia é manter a rotatividade do negócio? Pura questão de psicologia, que nem a figura do Papai Noel no Natal. Quando? Sim, vamos mandar em seguida. Qual é o endereço? Ótimo, perfeito, daqui a pouco ele está aí. Não se esqueça das condições. Ele leva o contrato. Tchau.
Bagley desliga. Cantarola baixinho, sublinha o endereço.
- Tira um do secador, Danforth. Um bem magro e cansado. Não vale a pena mandar logo o melhor.
Danforth vai ao secador e retira os pregadores dos dedos de um bem magro e cansado. - traz . Como é o nome dele?
- Herman. Herman Telleman.
- Xi, que merda, não vai dar. Parece que ainda tem um pouco de sangue. E o olho também não perdeu toda a cor... acho eu. Escuta aqui, Danforth, essa sua máquina tá espremendo direito? Eu não quero que sobre culhão nenhum, todas as resistências têm que sumir, tá entendendo? Cuida da tua parte que eu cuido da minha.
- Alguns desses caras quando chegam aqui são duros de roer. E você sabe muito bem que nem todos têm culhão. Não é sempre que dá pra adivinhar.
- Tá legal, vamos ver este aqui. Herman. Ei filhote!
- Que foi paizinho? - Que me diz de um empreguinho legal?
- Ah, não porra!
- O quê? Não quer um empreguinho legal?
- A troco de que, merda? O meu vellho era de Jersey, trabalhou pra burro a vida inteira e quando morreu a gente enterrou com todo o dinheiro que tinha, sabe quanto era?
- Quanto?
- 15 cents. O saldo de uma vida desgraçada e infeliz.
- Mas você não gostaria de casar e ter filhos, casa própria, entrar pra classe média? Comprar carro novo de 3 em 3 anos?
- Não quero nada com o batente, velhão, ninguém vai me botar em gaiola de mola. Quero só me espraiar por ai. Tô me lixando pro resto.
- Danforth, passa esse sacana de novo no espremedor e aperta bem os parafusos!
Danforth agarra o artigo pela nuca, mas não antes de Telleman berrar:
- Vai foder o cu da mãe!...
- E espreme bem TODO ESSE CULHÃO DELE. ATÉ QUE NÃO SOBRE NADA! Tá ouvindo?
- Tá certo, já ouvi! - reponde Danforth. - merda, às vezes eu acho que você ficou com a parte do osso mais fácil de roer!
- Deixa esse negócio de osso de lado! Espreme bem e tira o culhão desse cara. O Nixon é capaz de acabar com a guerra...
- Lá vem você com essa bobagem de novo! Acho que tu não anda dormindo direito, Bagley. Tem alguma coisa errada contigo.
- É, é sim. Tem razão. Insônia. Fico sempre pensando que a gente devia estar preparando soldados! Me reviro na cama a noite inteira! Que grande negócio não ia ser!
- Bag, a gente faz o que pode com o que a gente tem, mais nada.
- Tá certo, tá certo. Ele já passou pelo espremedor ?
- DUAS VEZES, já tirei o culhão todo. Você vai ver.
- Tá legal, traz correndo pra . Vamos dar uma olhada.
Danforth traz Herman Telleman de volta. Não resta duvida que está diferente. A cor dos olhos sumiu por completo e o sorriso é totalmente amarelo, uma beleza.
- Herman? - chama Bagley.
- Sim, chefe.
- O que é que está sentindo? Ou melhor, como se sente?
- Não sinto absolutamente nada chefe.
- Você gosta de tiras?
- Tiras não, chefe - polícias. Eles são vitimas da nossa maldade, embora às vezes nos protejam atirando, prendendo, espancando e multando a gente. Não existe essa história de que não há tira que preste aliás, polícia, desculpe. Já imaginou se não houvesse polícia? A gente teria que impor a lei com as nossas próprias mãos.
- E aí, o que ia acontecer?
- Nunca parei pra pensar, chefe.
- Ótimo. Acredita em Deus?
- Ah, claro que sim chefe. Em Deus, Pátria, Família, Tradição. E no trabalho honesto.
- Puta que pariu!
- Como disse chefe?
- Não. Nada. Agora, escuta aqui, você gosta de fazer serão?
- Ah, claro que sim, chefe! Gostaria de trabalhar 7 dias por semana, se possível. E de ter 2 empregos se pudesse.
- Por quê?
- Por causa do dinheiro, chefe. Pra comprar TV a cores, carro novo, dar entrada pra casa própria, pijama de seda, 2 cachorros, barbeador elétrico, seguro de vida, assistência médica, ah, tudo quanto é tipo de seguro, educação escolar para os meus filhos, se eu tiver, porta automática na garagem, roupas finas, sapatos de 45 dólares, câmeras, relógio de pulso, anéis, lavadora automática, geladeira, poltronas e camas novas, forração de carpete em todas as peças, donativos pra igreja, aquecimento central e...
- Tá legal. Chega. Agora, quando é que pretende usar todos esses troços?
- Não estou entendendo, chefe.
- Quero dizer, se você trabalhar dia e noite ainda fizer serão, que tempo te sobra pra aproveitar todo esse luxo?
- Ah, esse dia há de chegar, chefe, ele há de chegar!
- E não acha que teus filhos um dia hão de crescer e julgar que você foi um trouxa?
- Depois de ter me esfolado vivo por causa deles, chefe? Claro que não!
- Maravilha. Agora, só mais algumas perguntas.
- Pois não, chefe.
- Não acha que toda essa escravidão permanente é prejudicial pra saúde e pro espírito, pra alma, se quiser...?
- Ah, , se eu não ficasse trabalhando o tempo todo, ia acabar sentado por aí, bebendo, pintando quadros a óleo, fodendo, indo ao circo ou no parque pra ver os patos. Coisas desse gênero.
- Não acha que ficar sentado no parque, olhando para os patos, pode ser
muito agradável?
- Mas desse jeito eu não ganho dinheiro, chefe.
- Tá legal, se foder.
- O que, chefe?
- Não, nada. Já sei de tudo o que precisava. OK, Dan, este aqui tá no ponto. Parabéns. Dá o contrato, pega a assinatura dele, a letra é tão miúda que nem vai conseguir ler. Acha que somos gente boa. Manda correndo lá no endereço. O pessoal vai ficar encantado. Há meses que não arrumo melhor contador.
Danforth pega a assinatura, verifica os olhos de novo pra se certificar se não tem mais vida, põe o contrato e o envelope na mão e acompanha Herman até a porta, empurrando de leve pra descer a escada.
Bagley simplesmente se recosta na cadeira com um vasto sorriso de satisfação e fica observando enquanto Danforth passa os 18 restantes pelo espremedor. Seria difícil dizer aonde vão parar todos aqueles culhões, mas não há que negar, mais dia menos dia, todo homem deixa de ter culhões, os que deixam com maior facilidade estão rotulados de "casados e com filhos" ou "idade superior a 40". Assim recostado, enquanto Danforth vai espremendo um a um, Bagley presta atenção nas conversas:
- É duro achar emprego para um homem da minha idade, ah puxa se é!
Outro canta:
- Oh, baby it's cold outside.
Outro:
- Já estou cansado dessa vida de bookmarker e cafetão, indo sempre parar na cadeia. Preciso de segurança, segurança...
Outro:
- Tá certo, me diverti feito doido. Agora...
Outro:
- Não me especializei em coisa nenhuma. Todo homem devia se especializar, não me especializei em nada, o que é que vou fazer?
Outro:
- Já estive em tudo quanto é país - graças ao exército - e sei como são as coisas.
Outro:
- Se pudesse começar tudo de novo, ia ser dentista ou barbeiro.
Outro:
- Estão sempre desenvolvendo romances, contos e poemas que escrevo. Que merda eu não posso ir pra Nova York e ficar puxando o saco de tudo quanto é editor! Não há ninguém com mais talento do que eu, mas sem pistolão não adianta! Se me contento com qualquer tipo de trabalho indigno de mim, é por que sou gênio!
Outro:
- Tá vendo como sou bonito? Olha o meu nariz! As orelhas! O cabelo! A pele! O meu modo de ser! Viu? Tá vendo como sou bonito? Tá vendo bem? Sabe por que ninguém vai com a minha cara? É porque eu sou bonito. É tudo inveja. Só por inveja. Pura e simplesmente.
O telefone toca de novo.
- AGÊNCIA SATISFAÇÃO GARANTIDA. Bagley, às suas ordens. Você o quê? Precisa de um mergulhador? Filha da mãe! Como? Ah, desculpe. Lógico, evidente, temos dezenas de mergulhadores desempregados. As duas primeiras semanas de pagamento ficam pra agência. 500 semanais. Perigoso, sabe, muito arriscado mesmo. Cracas, caranguejos, tudo mais... algas marinhas, sereias nas rochas. Polvos. Amarras. Resfriados. É foda, sim. As 2 primeiras semanas de salário são da agência. Se depois acharem que ele não serve, nós é que pagamos 200 dólares pra vocês. Por quê? Por quê? Se um passarinho vem e bota um ovo de ouro na sala da frente da tua casa, você pergunta POR QUÊ? Pergunta? Vamos lhe mandar um mergulhador dentro de 45 minutos! Qual o endereço? Ótimo, ótimo, ah sim, ótimo, é perto do edifício Richfield. Sim, eu sei. 45 minutos. Obrigado. Passe bem.
Bagley desliga . Já está exausto e o dia mal começou.
- Dan?
- Sim, boneca?
- Me traz um que tenha tipo de mergulhador. Bem barrigudo. Olhos azuis, um chumaço de pelos no peito, calvície prematura, bastante estóico, meio corcunda, míope e os primeiros prenúncios, ainda ignorados, de câncer no esôfago. Qualquer mergulhador é assim. Todo mundo sabe como é. Agora traz um, boneca.
- Tá legal, seu cabeça de merda.
Bagley boceja. Danforth desprega um do arame. Traz o infeliz até a mesa, onde fica parado, de pé. No rótulo se "Barney Anderson".
- Oi Barney - diz.
-
Bag, onde é que eu estou? - pergunta Barney.
- Na
AGÊNCIA SATISFAÇÃO GARANTIDA.
- , estou pra ver dois safados com mais cara de vigaristas do que vocês!
- Porra, Dan! Qual é?
- Passei quatro vezes pelo espremedor.
- Eu te respondi que tem alguns que são duros de roer!
- Isso é pura conversa, seu burro de merda!
- Quem é que é burro de merda?
- Vocês dois - responde Barney Anderson.
- Quero que você passe três vezes o rabo deste aí no espremedor. - diz Bagley.
- Tá bem, tá certo, mas primeiro vamos fazer um trato.
- Tá legal. Por exemplo... pede pra este tal de Barney te dizer quais são os ídolos dele.
- Bom, deixa eu ver... Claver, Dillinger, Che, Malcolm X, Gandhi, Jersey Joe Walcott, "Grandma", Barker, Fidel Castro, Van Gogh, François Villon, Hemingway.
- Viu, ele se identifica com todos os derrotados. Assim ele se sente bem. Tá se preparando pra perder a jogada. Pode contar com a nossa ajuda. Foi logrado com esse papo de alma e é desse modo que a gente prende o rabo deles. Alma não existe. É pura cascata. Não existem ídolos. É tudo onda. Não existe ninguém vitorioso na vida - é pura cascata, papo furado. Não há santos e nem gênios - tudo não passa de conversa mole pra boi dormir, conto da carochinha, só pro jogo continuar. Cada homem se esforça pra sobreviver e ter sorte - se puder. O resto não dá pra engolir.
- Tá bom, tá bom, já saquei o que você quer dizer! Mas, e o Fidel Castro? Tava bem gordo na última foto que eu vi.
- Ele só tá durando por que os E.U.A. e a Rússia resolveram deixar o cara no meio do fogo. Mas vamos supor que, de repente, coloquem as cartas na mesa? Pra onde é que ele vai se virar? Rapaz, o cacife desse cara é tão fraco que não dá pra pagar nem a entrada num puteiro decadente do Egito.
- Vão tomar no cu, vocês dois! Eu gosto de quem eu quiser! - protesta Barney Anderson.
- Barney, quando o cara não tem onde cair morto, e tá encurralado, faminto e cansado - ele é capaz de chupar pica, mamica e até de comer bosta pra poder continuar vivo; ou se conforma ou se suicida. A raça humana não tá com nada, rapaz, não é flor que se cheire.
- Por isso nós vamos mudar tudo, cara. Aí é que tá o lance. Se já deu pra chegar na lua, também dá pra limpar a cagada no penico. O mal é que a gente andou perdendo tempo com o que não devia.
- Você tá doente, garotão. Meio barrigudinho. E começando a ficar careca. Dan, bota aí o distinto em forma.
Danforth pega Barney Anderson, bate, torce e espreme, sem fazer casos do grito, três vezes no espremedor, e depois traz de volta.
- Barney? - chama Bagley.
- Pronto, chefe!
- Quais são teus ídolos?
- George Washington, Bob Hope e Mae West, Richard Nixon, os ossos do Clark Gable e toda a gente que viu na Disneylândia. Joe Louis, Dinah Shore, Frank Sinatra, Babe Ruth, os Boinas Verdes, porra, todo o exército e a marinha dos Estados Unidos e, principalmente, os Fuzileiros Navais, e até o Tesouro Nacional, a CIA, o FBI, a United Fruit, a patrulha rodoviária, o maldito departamento de policia de Los Angeles em peso, e os tiras locais também, aliás disse "tiras" por engano, quando queria dizer "polícia". Depois tem a Marlene Dietrich, com aquela abertura no lado do vestido até em cima da coxa, ela já deve andar perto dos 70, não é? Dançando lá em Las Vegas, fiquei de pau duro, que mulher maravilhosa, a boa vida que leva aqui na América e a estabilidade do dólar são capazes de manter eternamente a juventude da gente, entendeu?
- Dan?
- Que é, Bag?
- Este aqui tá mais que no ponto! Mesmo pra um cara pouco sensível como eu, deu pra ficar com ânsia de vomito. Faz ele assinar o contratinho dele e manda lá no endereço. Eles vão adorar. Santo deus, as coisas que a gente tem que fazer pra sobreviver! Às vezes chego a odiar o próprio trabalho que faço. O que não convém, não é, Dan?
- Claro que não, Bag. E assim que despachar esse cara de cu, eu tenho um presentinho pra você - uma dose daquele velho Tônico, tão gostoso.
- Ah, mas que bom..... qual é mesmo?
- Só meia volta na manivela do espremedor.

- O QUÊ?!
- Ah, não tem nada que se compare pra acabar com as tristezas ou idéias inconvenientes. E outras coisas no gênero.
- Será que cura de verdade?
- É melhor que aspirina
- Tá legal, vê se se livra do cara de cu.
Barney Anderson é despachado escada abaixo. Bagley levanta da cadeira e vai ate o espremedor mais próximo.
- Essas coroas - a West, a Dietrich, ainda de tetas e cochas de fora, porra, que coisa mais sem pé nem cabeça, já estavam nessa quando eu era criança. Como é que pode?
- Tapeando . Esticando a pele, os músculos, por meio de cintas, de talcos, de refletores, de forros de carne, enchimentos, cremes, palha e esterco são capazes de deixar a avó da gente com cara de broto?
- A minha já morreu.
- Mesmo assim são capazes.
- É, é sim, acho que você tem razão.
Bagley vai para perto do espremedor.
- Só meia volta na manivela. Dá pra confiar em você?
- Tu não é meu sócio, Bag?
- Claro que sou, Dan.
- Há quanto tempo a gente trabalha junto?
- 25 anos.
- Então tá, quando eu digo MEIA VOLTA , É MEIA VOLTA mesmo.
- E o que é que eu faço?

- Enfia a mão no cilindro, mais nada. É que nem a máquina de lavar a roupa.
- Ali dentro?
- É. Tá pronto? Oba!
- Ei, cara, não esquece. Só meia volta.
- Lógico, Bag, não confia em mim?
- Agora? Que remédio?
- Andei fodendo tua mulher escondido, sabia?
- Seu miserável filho da puta! Eu te mato!
Danforth deixa o espremedor ligado, senta atrás da mesa de Bagley, acende um cigarro, e começa a cantar:
Lucky, lucky me,
I can live in luxury Because
I ve got a pocket full of dreams...
I got an empty purse,
But I own the universe,
BecauseI've got a pocket full of dreams...
Se levanta e se aproxima do espremedor e de Bagley.
- Você falou meia volta - Bagley reclama - e já foi volta e meia.
- Não confia em mim?
- Mais do que nunca, não sei por que.
- E, no entanto, andei fodendo tua mulher escondido.
- Ah, acho que não tem importância. Já estou cansado de foder ela. Todo homem cansa de foder sempre a mesma mulher.
- Mas o que eu quero é que você queira que eu foda a tua.
- Bem, eu pouco tô ligando, só não sei exatamente se quero que você foda.
- Daqui a cinco minutos eu volto.
Danforth se afasta, senta na poltrona giratória de Bagley, põe os pés em cima da mesa e fica esperando. Gosta de cantar e canta:
I got plenty of nuthin
And nuthin s plenty for me
I got the stars, I got the sun,
I got the shining sea...
Depois de fumar dois cigarros , volta pra junto da máquina.
- Bag, ando fodendo tua mulher escondido.
- Ah, eu quero que você foda, cara! É só o que eu quero! E sabe do que mais?
- O quê?
- Acho até que gostaria de ver
- Lógico, que dúvida.
Danforth vai ao telefone e disca o número.
- Minnie? É, Dan. Vou até aí pra gente foder de novo. Bag? Ah, vai junto. Ele quer ver. Não, ninguém tá bêbado aqui. Apenas resolvi encerrar o expediente por hoje. Já fizemos tudo que tinha pra fazer. Com o negócio entre Israel e os árabes, e toda essa guerra na África, ninguém mais precisa se preocupar. Biafra é uma palavra muito bonita, mas como te disse, a gente está indo pra aí. Quero comer o teu cu. Essas bochechas gordas que você tem, puta que pariu! Sou capaz também de comer o Bag. Acho que as bochechas dele são maiores que a tua. Fica aí quietinha, paixão, que a gente tá a caminho!
Desliga. Outro telefone toca. Dan atende. - Vai te foder, seu sacana de merda! Até a ponta dos teus mamilos fedem que nem bosta mole de cachorro quando tem vento oeste. Desliga e sorri. Vai até Bagley e tira ele do espremedor. Trancam a porta do escritório e descem os degraus juntos. Quando chegam na calçada, o sol está alto e de boa cara. Dá pra enxergar pela transparência da saia justa das mulheres. E quase se adivinham os ossos. Há morte e podridão por tudo quanto é lado. Estão em Los Angeles, perto da esquina da 7º Avenida com a Broadway, o cruzamento onde os mortos esnobam os mortos, sem saber por que. Uma brincadeira que qualquer um é capaz de aprender, feito pular corda, dissecar rãs, mijar na caixa de correspondência ou bater punheta no cachorro de estimação os dois cantam:
We got plenty a nuthin
And nuthin s plenty for we...
Chegaram de braço dado na garagem do subsolo, encontraram o Cadillac 69 de Bag, entram no carro, cada um acende um charuto de um dólar, Dan no volante, saem dali, quase atropelam um bêbado que desce a calçada da Pershing Square, viram na direção oeste, rumo a pista em alta velocidade, a liberdade ao Vietnã, ao exército, é foda, às vezes extensões de gramado, estátuas nuas e vinho francês, a Beverly Hills ...
Bagley se abaixa e abre a braguilha de Danforth, que continua dirigindo.
Espero que deixe um pouco pra mulher dele, pensa Dan.
É de manhã e não faz muito calor em Los Angeles ou talvez já seja de tarde. Verifica no relógio do painel de instrumentos - os ponteiros marcam 11 e 37, a hora exata em que chega ao orgasmo. Aumenta a velocidade do Cadillac. 130 km por hora. O asfalto desliza no solo como os túmulos dos mortos. Liga a TV do painel, depois pega o telefone e aí se lembra de fechar a braguilha.
- Minnie, eu amo você.
- Eu também te amo, Dan - retrucou ela - aquele vagabundo tá contigo?
- Tá bem do meu lado, acabou de encher a boca.
- Ah Dan, não desperdiça.
Ele solta uma gargalhada e desliga. Quase batem no crioulo que dirige um carro-socorro. Não é negro coisa nenhuma, um tição e mais nada. Não há melhor cidade no mundo pra quem está numa boa, e só uma pior pra quem já dançou - a grande M. Danforth aumenta a velocidade para 140. Um guarda de moto sorri quando o carro passa feito raio. Talvez ligue depois para Bob, de noite. Bob é sempre tão engraçado. Os 12 caras que escrevem para ele têm o dom de bolar grandes piadas. E Bob tem a naturalidade de uma bosta de cavalo incrível.
Joga fora o charuto de um dólar, acende outro, aumenta a velocidade do Cadillac para 150 e sai chispando no sol que nem flecha, os negócios e a vida correm a mil maravilhas, e os pneus rodam em cima dos mortos, dos moribundos e dos futuros defuntos.
ZUUUUUUUMMMMMMM!

Charles Bukowski


DOWNLOAD: MAMMA CADELA - EM BUSCA DA VERDADE - 2006
http://rapidshare.com/files/18285269/Mamma_Cadela_Em_Busca_da_Verdade.rar.html

AFRO-ROUBOS

Fela Kuti roubado do Nirso e Budos Band II do Rádio Transistor.


DOWNLOAD: FELA KUTI - MONKEY BANANA + EXCUSE O - AMBOS DE 1975
http://www.mediafire.com/?z5lemzyznkd



DOWNLOAD: THE BUDOS BAND - THE BUDOS BAND II - 2007
http://rapidshare.com/files/69886229/The_Budos_Band_-_II.rar





DOWNLOAD: JIMMY SMITH - MIDNIGHT SPECIAL - 1960

TV: A DROGA DA NAÇÃO









Televisão: a droga da nação
Alimentando a ignorância

E emitindo radiação



Beatnigs












DOWNLOAD: THE BEATNIGS - THE BEATNIGS - 1988
http://sharebee.com/72d900bd


(...)
O homenzinho girava com fúria a manivela do magneto, fala, fala, fala, conta, comunista filhodaputa, conta dos aparelhos, me dá os endereços, e os endereços dos padres, aqueles padres de merda, bichas, sabia que os padrecos não gostam de mulheres? Os fios no meu saco, nas plantas dos pés, fale, conta merdinhadebosta, e eu, frgsthfhtrygrufjutih jur itid narerad mertardstr frsgrtuiok jlo. E agora você vai saber por que me chamam de joão bonzinho disse o coronel enquanto enfiava um fio no canal de minha uretra e ligava o fio direto na tomada e eu sumia no mundo, com tanta dor que nem sentia dor, parece que meu pau tinha sido arrancado e eu não sentia mais ele, pensei que nunca mais ia meter, nem que tivesse mil babacas na minha frente. E o joão bonzinho enfiou um bastão no meu rabo e ligou o fio no magneto e girou a manivela e me caguei todo, a bosta escorreu pelas minhas pernas, eles morreram de rir e disseram que eu devia comer a bosta no chão porque tinha sujado a sala toda e o general comandante não gostava de sala suja. Eu estava cagando pra ter cagado, a dor dos choques, os músculos todos tremendo é que me enchia, ukgitgfyjhtyaaoaoirsgrt groitsgruio gruoatr areasresrea defers degrefregstrfncgui cracrecrecreicrocru, lambe o chão merda de comunista, bandido do caralho, lambe com a língua, limpe a bosta pro general não ver e até que bosta não é tão ruim assim, porque não tinha gosto, nem cheiro, parecia sopinha de criança e um sargento sugeriu que me dessem mijo como bebida pra acompanhar o almoço.
(...)


Ignácio de Loyola Brandão, excerto do livro Zero.



DOWNLOAD: LALO SCHIFRIN - BULLIT OST - 1968

ARTE-SABOTAGEM


Queima pública de livros – porque caipiras reacionários & funcionários das alfândegas devem monopolizar essa arma? Livros sobre crianças possuídas pelo demônio; a lista de best sellers do The New York Times; tratados feministas contra a pornografia; livros escolares (especialmente de estudos Sociais, Educação Moral e Cívica & Saúde); pilhas do New York Post, Village Voice & outros jornais de supermercado; uma compilação de editoras cristãs; alguns romances populares – uma atmosfera festiva, garrafas de vinho & baseados numa tarde clara de outono.

Se certas galerias & museus merecem, de vez em quando, receber uma tijolada pela janela – não a destruição, mas sim uma sacudida na sua complacência -, então o que dizer dos BANCOS? Galerias transformam beleza em mercadoria, mas bancos transmutam a Imaginação em vezes & dívida. O mundo não ganharia um pouco mais de beleza com cada banco que tremesse... ou caísse?

Não faça piquetes – vandalize. Não proteste – desfigure. Quando feiúra, design podre & desperdícios estúpidos estiverem sendo impostos a você, transforme-se num ludita, jogue o sapato no mecanismo, retalie. Esmague os símbolos do Império, mas não o faça em nome de nada que não seja a busca do coração pela graça.


Hakim Bey



DOWNLOAD: THE LAST POETS - CHASTISMENT - 1972
http://rapidshare.com/files/13405993/Last_Poets_-_Chastisment__1972_.zip

ESTUPIDEZ





Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo.



Frank Zappa










DOWNLOAD: MAX ROMEO & THE UPSETTERS - WAR INA BABYLON - 1976 - VBR
http://www.4shared.com/file/83165057/2326348c/max_romeo__the_upsetters_-_war_ina_babylon.html

TRIPALIUM











O significado da palavra trabalho remonta à sua origem latina: tripalium (três paus) - instrumento utilizado para subjugar os animais e forçar os escravos a aumentar a produção.

O tripalium era, pois, um instrumento de tortura, algo semelhante à cruz que o rebanho cristão adotou como
objeto-símbolo de um culto masoquista.

Vão-se os objetos, ficam as palavras: por volta do séc. 12, o termo já tinha ingressado nas línguas românicas - traball, traballo e trabalho (Port.), travail (Fr.), trebajo, trabajo (Esp.), travaglio (It.).

Embora na França rural, até hoje, travail ainda sirva
para designar uma variante do tripalium - uma estrutura de madeira destinada a imobilizar o cavalo para trocar ferraduras ou efetuar pequenas intervenções cirúrgicas-, em todas essas línguas o termo entrou como substantivo abstrato, significando "tormento, agonia, sofrimento".



DOWNLOAD: CARLOS DAFÉ - PRA QUE VOU RECORDAR - 1977

CONSIDERAÇÕES DE MARCOLA SOBRE O ESTADO




Transcrição literal de trechos do depoimento do Sr. Marcos Herbas Camacho à CPI do tráfico de armas em junho de 2006.



(...)
Deputado Paulo Pimenta: Tu não és um preso, digamos assim, que tenha um perfil convencional. Tu és um cara que tem uma boa formação intelectual.
Marcola: Mas isso eu adquiri como autodidata. O Estado nunca me deu nada.
(...)
Marcola: Eu não acho um traficante melhor do que um Deputado nem um Deputado melhor que um traficante de armas. Pra mim é tudo igual.
Deputado Paulo Pimenta: Pra ti é tudo igual.
Marcola: Claro que é.
(...)
Marcola: (...) Eu acho uma violência desregrada, uma coisa hedionda, você matar um ser humano por que ele está passando na tua frente. Só que a PM (Polícia Militar) faz exatamente isso. Quando ela entra numa favela, ela faz exatamente isso e só com os miseráveis, por que eles não vão lá no Morumbi fazer isso. Eles não vão lá no Ibirapuera fazer isso, eles não vão... Eles vão aonde? Eles vão na Heliópolis fazer isso.
Deputado João Campos: Hã, hã. O...
(...)
Deputado João Campos: Qual era a fonte, o fornecimento das armas?
Marcola: Qualquer favela de São Paulo, do Rio de Janeiro, de qualquer lugar. Qualquer centro de miséria, que não tem comida, não tem educação, não tem saúde, mas tem droga e tem arma.
(...)
Marcola: É isso. A vida... Se o senhor pegar qualquer preso, a minha vida vai ser idêntica até o ponto em que tive acesso a livros. Aí minha vida muda.
Deputado Raul Jungmann: Por quê?
Marcola: Porque me faz raciocinar, me faz analisar que existe uma injustiça muito grande em nosso País. Que um jovem igual a mim, em vez de estar numa casa de detenção, na época, poderia estar numa universidade se tivesse tido um apoio do Estado. A gente começa a questionar esse poder do Estado - o senhor entendeu? -, porque a gente é vítima dele. Então, fica difícil. Aí, a partir de então, a gente vai criando uma consciência um tanto revoltada, mas uma consciência, que até então não tinha.
(...)
Deputado Maroni Torgan: Agora eu quero dizer, com todo respeito que eu tenho pela humanidade: o PCC existe para explorar os coitados dos presos que têm que sair para rua e trabalhar para eles. Tem que trabalhar, tem que ser criminoso. Se tu saíres, pagar tua pena, tu tens que ir para rua para ser criminoso.
Marcola: E o que os Deputados fazem?
Deputado Maroni Torgan: Tu tens que ir pra rua.
Marcola: E o que os Deputados fazem? Não roubam também? Roubam pra caralho.
Deputado Maroni Torgan: É isso vai ser outra coisa que tu vai ser indiciado também. Disso tu vai ser indiciado também.
Marcola: Só porque Deputado rouba eu vou ser indiciado?
Deputado Maroni Torgan: Por desacato. Disso tu vais ser indiciado.
Marcola: Que moral tem algum Deputado pra vir gritar na minha cara?
Deputado Maroni Torgan: Não existe, não existe...
Marcola: Nenhuma.
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem tem moral de falar.
Marcola: Mas quem disse que... Cadê o homem de bem?
Deputado Maroni Torgan: Todo homem de bem, todo homem de bem defende sua família.
Marcola: Todo bandido fala que é homem de bem.
(...)

O Sr. Marcos Herbas Camacho cumpre pena de prisão em virtude de várias condenações. É considerado um dos líderes do crime organizado de São Paulo e de sua mais famosa facção, o PCC (Primeiro Comando da Capítal).

Clique aqui e faça o download do depoimento na íntegra.



DOWNLOAD: AIRTO FOGO - 1976 - 320Kbps
http://lix.in/6e650d

ANONIMATO



As autoridades temem as máscaras por atrapalharem seu poder de identificar, rotular e catalogar: saber quem você é... Nossas máscaras não servem para esconder ou ocultar a nossa identidade, mas para revelá-la... Hoje nós devemos dar um rosto a essa resistência; colocando nossas máscaras demonstramos a nossa união; levantando as nossas vozes nas ruas nós descarregamos toda a raiva contra os poderosos sem rosto...



Mensagem impressa dentro das máscaras distribuídas no Carnaval Anticapitalista de 1999 que destruiu o distrito financeiro central de Londres.





DOWNLOAD: BIG BLACK - SONGS ABOUT FUCKING - 1987
http://rapidshare.com/files/79762993/bigblack-songaboutfucking.zip

AGRADECIMENTOS


Agradecimentos a toda putada real portuguesa e européia em geral pelo estrago que fizeram ao longo dos séculos no berço da humanidade - África e seus descendentes.

Thank you very much USA, por patrocinar a exploração, a inflação, a fome e a miséria do nosso povo.

São Paulo à tarde, uma criança negra, suja, aparentemente doente, caminha devagar até o farol. Pede um dinheiro a um cara branco num Diplomata preto. Ele dá uma merreca e sai todo orgulhoso, se achando o cara. No segundo farol, um moleque negro, 17 anos aproximadamente, atravessa entre os carros. O cara do Opala saca uma pistola automática no console do carro com os olhos arregalados. Ele tem medo, fecha o vidro do carro. O Brasil é isso.

Negro bom é aquele que não oferece perigo. Sem instrução, sem estrutura de família, sem ambição. Homem negro seja um bom cidadão. Acorde às 6h, pegue o ônibus às 7h, entre no trabalho às 8h, almoce às 12h, vá embora às 18h. Ganhe mais ou menos US$70 por mês. Depois de muita correria, cale a boca e vá dormir que amanhã cedo é dia de "branco" - isso se você for um privilegiado que ainda tem um emprego e trabalha de carteira assinada e tudo, numa dessas multimilionárias empresas estrangeiras. Não exija muito. Seu pai não exigiu, seu avô também não, seu bisavô muito menos. Ele era escravo. O bisavô do seu patrão também era patrão.

Hereditariamente, ano a ano, tudo no devido lugar, tudo pela branca ordem, explorados e exploradores. Tudo na mais perfeita ordem e progresso. O povo africano foi trazido seqüestrado para o Brasil numa época em que o continente africano estava em ascensão, para ser utilizado como animal doméstico, sem direito a opinião própria, religião e, pasmem senhoras e senhores católicos, sem direito a comer, com exceção dos restos. Não é de agora que o Brasil tem cadeira cativa entre os hipócritas e mentirosos.

Catolicismo hipócrita que até nos dias de hoje ilude nosso povo com as promessas de vida melhor após a morte, enquanto eu assisto meu povo morrer mais cedo por maus tratos e desilusões. Igreja hipócrita que deu a sentença de morte cerebral e física lenta e dolorosa ao povo negro, aceitando naturalmente um dos piores momentos da História em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém.

Hoje, o sistema tenta tapar o sol com a peneira fazendo uma COHAB aqui, outra ali - sempre bem longe do centro, é claro.

Muitas pessoas insistem em perguntar porque os afro-americanos conseguiram espaços em tantos setores da sociedade americana e os brasileiros não conseguiram muita coisa, além de Pelé e ... Não sabemos com quem lutar, todos dizem que são nossos amigos. Nos Estados Unidos a arma é apontada pela frente, os brancos de lá são menos covardes. No Brasil, a arma é apontada pelas costas. A segunda posição é mais cômoda pra quem segura a arma e torna a defesa mais difícil para quem é o alvo. Um exemplo simples:

Ku Klux Klan - organização de extrema direita branca que agia no sul dos Estados Unidos atacando pessoas negras declaradamente;

Grupos de Extermínio - os "pé-de-pato", como são conhecidos aqui na zona sul de São Paulo. Agem em São Paulo e Rio de Janeiro, matando mais que a KKK e o FBI juntos. Só que não é divulgado que a cada dez mortos, sete são negros;

Justiceiros - grupos de extrema direita, formado por pessoas brancas, negras, pardas, policiais, bandidos, comerciantes ...

Eu cresci assistindo televisão pelo menos oito horas por dia e sempre tinha aqueles galãs fabricados dizendo "compre isso, compre aquilo, alugue aquilo outro". Meu povo quando foi abolido por lei não recebeu nada como pagamento, nem indenização, nem terra pra plantar, nem liberdade de escolha. O Brasil é um país capitalista onde as pessoas valem o que têm - propriedades. Meu povo foi roubado e deserdado, não tem propriedade. É FODA! O povo que trabalha na terra não tem terra pra plantar e construir suas casas. Ninguém se responsabiliza, todos tiram o cu da reta.

Meu povo está se recuperando devagar de um nocaute na nuca, sem herança, sem nenhum alqueire e nenhuma mula. Sem apartamentos em Moema, restaurantes na Bela Vista ou lojas nos shopping centers. Sem direito a moradia e escola dignas. Mas está se recuperando sem a ajuda de ninguém. Por enquanto, estamos convencendo nossas crianças que elas não precisam ter longos cabelos louros e olhos azuis pra serem grandes homens e mulheres. Não precisam usar calças da Zoomp ou M. Officer ou andar com braço pra fora nos Tempras e Ômegas. FODA-SE TUDO ISSO. Sem mais, Mano Brown. Capão Redondo (SP), favela. Cada um com seus problemas - Poder para o povo preto - Revolução.


Mano Brown



DOWNLOAD: THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE - ELECTRIC LADYLAND - 1968
http://rapidshare.com/files/303767735/jimhenelcla.rar

NORMOSE



Há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz deve ser considerado normal e servir de guia para o comportamento de todas as outras pessoas.

Fatos e descobertas recentes sobre as origens do sofrimento e das doenças e também sobre as guerras, a violência e a destruição ecológica questionam seriamente a usualidade de certas "normas" ditadas pela sociedade e seus consensos.

Muitas normas sociais, atuais ou passadas, levam ou levaram a sofrimento - moral ou físico - indivíduos, grupos, coletividades inteiras e até mesmo espécies vivas.

Resolvemos adotar o termo de "Normose", para designar esta forma de comportamento visto como normal mas que na realidade é anormal. O termo foi forjado na França por Jea Yves Leloup.

A Normose é o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de uma determinada população e que levam a sofrimentos, doenças ou mortes, em outras palavras, que são patogênicas ou letais, e são executados sem que suas vítimas tenham consciência desta natureza patológica, isto é, são de natureza inconsciente.




DOWNLOAD: THE BUDOS BAND - 2005 -
http://rapidshare.com/files/49359823/budos_band_-_budos_band__daptone_2005_.zip



Todos os governos são erguidos sobre mentiras. Todas as organizações são erguidas sobre mentiras.

Quem são os malucos antidrogas? De onde vêm?

Fato: a cannabis é uma das melhores drogas para combater a náusea, aumenta o apetite e o bem-estar.

Também estimula os centros visuais cerebrais. Já tive tantas imagens ótimas conseguidas com cannabis. Na minha época de saladas, eu usava só ela, e que realizações consegui! ("E que acasalamentos!", como exclamou um crítico francês admirado.)

Algumas tragadas na teta verde e consigo enxergar múltiplas saídas e caminhos. Então por que tanta repressão a essa substância inofensiva e prazerosa?

Quem é você, para quem a verdade é tão perigosa? O que é a verdade? Algo imediatamente percebido como sendo a verdade.

Onde estão a cavalaria, a nave espacial, o esquadrão de resgate? Fomos abandonados aqui neste planeta governado por filhos da puta mentirosos, de poder cerebral modesto. Sem sentido. Nem uma minúscula fração de boas intenções. Filhos da puta mentirosos.



William Burroughs



LEGITIMIDADE NATURAL



Declaremos a natureza legítima. Todas as plantas deveriam ser declaradas legais, assim como todos os animais. A noção de plantas ou animais ilegais é absolutamente ridícula.


Terence McKenna






DOWNLOAD: MACEO PARKER - MO'ROOTS - 1991

UNIVERSOTÁRIOS


O mundo se cristaliza, se mumifica lentamente dentro das ataduras de suas fronteiras, de suas fábricas, de seus tribunais, de suas Universidades. O Espírito "gelado" range entre as lâminas minerais que o oprimem. E a culpa é de vossos sistemas embolorados, de vossa lógica de dois-e-dois-são-quatro; a culpa é vossa, Reitores, apanhados na rede de silogismos. Fabricais engenheiros, magistrados, médicos a quem escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser - falsos sábios, cegos para o além, filósofos que pretendem reconstruir o Espírito. O menor ato de criação espontânea constitui um mundo mais complexo e mais revelador que qualquer sistema metafísico.
Deixa-nos, pois, Senhores - sois tão somente usurpadores. Com que direito pretendeis canalizar a inteligência e dar diplomas de Espírito?


Antonin Artaud




DOWNLOAD: MR SCRUFF - MR SCRUFF - 2006 - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/87710126/mrs._cruff-tunestop.rar

MORTE AOS CORONÉIS

A LITERATURA E O HORROR




não há literatura sem projeto filosófico [não a filosofia enquanto História das Idéias, Pedagogia ou Disciplina, certa racionalidade, certa razão, mas projeto ético/político radical, projeto existencial de saber, ação escritural autoconsciente, projeto diferenciado e negativo: estratégias em busca da negatividade].no entanto a Literatura, normalmente, se funda enquanto perspectiva remodelada da sua própria tradição, da escrita religiosa, dos modelos populares, do jornalismo, da historiografia, da sociologia e até da antropologia sob formas literárias esperadas: conta uma história dentro dos horizontes formais: sua função é contar essa história (sua função é “fabuladora”: contar histórias pra dormir, pra fazer esquecer). o pensamento enquanto negatividade radical não é nem necessário nem possível na Literatura: não é necessário porque são estabelecimentos de formas que existem sem nenhuma radicalidade, nenhuma reflexão perigosa, nenhum pensamento a partir de outra perspectiva; nem é possível porque essa reflexão radical não faz parte da língua, da tradição literária nem da formação do escritor enquanto escrivão da hegemonia, um contador de histórias, um loroteiro vaidoso e letrado da oligarquia das letras, cuja função é reforçar o existente, amortecer o tempo, entorpecer a língua, dar continuidade.pensar o existente não quer dizer pensar com o existente, mas, necessariamente, contra o existente; não com suas aparências, tropos, tipos, modelos, fôrmas, modas, entonações, mas com uma negatividade que escave além do razoável, além das crenças que sustenta a existência do existente, articulando elementos que construam do real seu horror encalacrado.pensar contra faz aparecer não só as razões, os fundamentos, os planos e os movimentos do horror, suas redes e nódulos tecidos com os fios do medo, mas a aparência como uma das suas torções perversas: submeter-se à aparência é o mesmo que ser devorado pelo horror e ver que tudo isso é muito bom.enquanto o que tornou possível a Literatura foi o capitalismo e o universo burguês, o que torna possível a literatura é a pós-modernidade como esse mesmo capitalismo levado ao paroxismo: o fim das utopias, a mundialização radical do capital, a impossibilidade da revolução; o desaparecimento das crenças na história, na natureza em deus e no homem; a onipresença do horror, do sufocamento, da paralisia, do mercado.há uma relação íntima, carnal, entre o horror, as religiões, a hegemonia, o estatal, o mediano, o mercado, a mídia, a educação e a Literatura: sem esses planos penetrantes e abertos pro sim, pro como-não, pro aceito, pro tou-honrado, a Literatura não poderia representar o papel não apenas explícito, mas o papel subliminar e formativo: seu campo de atuação sendo na linguagem atinge diretamente o existente na medida da sua reprodução, manutenção e elogio.a literatura não existe como realidade ou como um já-feito, mas sim como projeto de saber (aquilo que, incompleto, busca o conhecimento através da negação: na dobra, na torção, o específico conhecimento literário, que não é conceitual como na filosofia: jamais universal, jamais regional, jamais nacional) que procura a consciência, se torna consciente e faz tornar consciente a radicalidade da sua negação, da sua perspectiva, da sua específica maneira de pensar e enfrentar o existente enquanto teatro do horror. mas não encontra nenhuma consciência reconhecível, mas aquela que se faz ao sabor-saber literário: não é busca pelo já conhecido, mas por aquilo que nasce de uma reconfiguração, de um outro arranjo. seus problemas, suas investigações, seus confrontos não são feitos com os materiais tradicionais da Literatura, da oligarquia das letras ou do lócus de inspeção, mas do enfrentamento com a língua dos planos vivos do horror.a literatura tem em artaud, bernhard, büchner, céline, genet, beckett, kafka, kavafis, lautréamont, mallarmé, melville, dostoievski, nietzsche, rilke, rimbaud, sade não origens ou genealogias, muito menos os trilhos tradicionais onde foram postos ou um paideuma, mas horizontes de contradição que alimentam as transversais da literatura enquanto enfrentamento do tempo com a linguagem do fundamento.literatura é o outro. é o encontro com outras vozes. é a expressão maior de individualidades. a resistência dessas individualidades. a manifestação plena dessas vozes e dessas vidas. vidas e vozes, experiências e vivências integrais, principalmente num tempo cada vez mais fascista onde o horror é o cotidiano, as relações, o profundo e o raso, o antes, o agora e o depois.a literatura não é mimética, é escrita limpa, sem nomes, sem tecnologias, contra a língua, contra as tradições, contra as tradicções, sem experimentalismo, a literatura é guerrilha contra o tempo: poética da negatividade.



Alberto Lins Caldas




DOWNLOAD: SOUL SEARCHERS & CHUCK BROWN
- BUSTIN LOOSE -1978
http://sharebee.com/2f106532

NÃO IMPORTA QUEM GOVERNA



Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.


Mikhail Bakunin






DOWNLOAD: ANARCHIST ACADEMY - AM RANDE DES ABGRUNDS - 1993
http://rapidshare.com/files/34252451/AA-ARDA.rar


DOWNLOAD: ANARCHIST ACADEMY - ANARCHOPHOBIA - 1994
http://rapidshare.com/files/34231268/AA-A.rar

CLANDESTINE INSURGENT REBEL CLOWN ARMY (CIRCA)




"Nós não podemos começar de um jeito perfeito e belo. Não tenham medo de começar como tolos, comece como um tolo."

Chogyam Trungpa


Roll up, roll up - Ladies and gentlemen, garotas e garotos, amigos e amigas: bem vindos ao único, ao inesperado, ao paradoxal, ao grotescamente belo, ao novo e inútil mundo do Clandestine Insurgent Rebel Clown Army (Exército Insurgente Clandestino de Palhaços Rebeldes).


Somos clandestinos por recusarmos o espetáculo e porque somos qualquer pessoa. Porque sem nomes reais, rostos e narizes, mostramos que nossas palavras, sonhos e desejos são mais importantes do que nossas biografias. Porque nós recusamos a sociedade da vigilância: que observa, controla, espiona, registra e acompanha cada um de nossos movimentos. Porque ao esconder nossa identidades nós recuperamos o poder de nossos atos. Porque caracterizados nós resistimos de uma forma engraçada e nos tornamos visíveis.

Somos insurgentes por termos surgido do nada e estarmos em todos os lugares. Porque idéias podem ser ignoradas mas não censuradas, e uma insurreição da imaginação é irresistível. Porque sempre que caímos nós nos levantamos de novo, de novo e de novo, sabendo que nada se perde historicamente, nada é finito. Porque a história se projeta em linha reta, mas surge como a água: às vezes escorrendo em espiral, às vezes pingando, fluindo ou inundando tudo - sempre irreconhecível, inesperada, incerta. Porque a chave da insurreição é o improviso, não meras reproduções baratas.

Somos rebeldes por amarmos mais a vida e a felicidade do que a 'revolução'. Porque nenhuma revolução se completa e as rebeliões são eternas. Porque não queremos mudar 'o' mundo mas sim 'nossos' mundos. Porque sempre iremos desertar e desobedecer àqueles que abusam e acumulam poder. Porque rebeldes transformam tudo: como vivem, criam, comem, riem, brincam, aprendem, trocam, ouvem, pensam e acima de tudo a forma como se rebelam.

Somos palhaços, afinal o que mais seríamos nesse mundo estúpido? Dentro de cada um de nós há um palhaço tentando se rebelar. Porque nada afeta mais as autoridades do que ridicularizá-las. Porque os idiotas são temíveis e inocentes, espertos e estúpidos, entertainers e dissidentes, curandeiros e subversivos. Porque um palhaço sobrevive a tudo e sempre se sai bem.

Somos um exército por vivermos num planeta em permanente guerra - a guerra do dinheiro contra a vida, o lucro contra a dignidade, o progresso contra o futuro. Porque uma guerra que se alimenta de sangue & morte e caga dinheiro & toxinas merece um corpo obsceno de soldados contestadores. Porque apenas um exército pode declarar uma guerra absurda contra uma guerra absurda. Porque o combate requer solidariedade, disciplina e comprometimento. Porque palhaços sozinhos são figuras patéticas, porém em grupos, brigadas ou batalhões são extremamente perigosos. Somos um exército por estarmos putos: onde as bombas falharem nós vamos rir e os ridicularizar. E nossas risadas precisam de eco.

Somos CIRCA por sermos próximos e ambivalentes, por estarmos no mais poderoso lugar: entre a ordem e o caos.

FUJA DO CIRCO
JUNTE-SE AO CIRCA



DOWNLOAD: DJ SPINNA - STRANGE GAMES AND THINGS - 2000 - 320Kbps
http://www.megaupload.com/pt/?d=HJ1RB1RV

PRIMEIRO MUNDO


É uma farsa, é mentira, é engano,
País de primeiro mundo não existe.
Não é que não queremos,
Mas a tecnologia não cobre as vidas sofridas.
O mundo ainda convive com a fome, com a guerra,
Com o preconceito,
Com a miséria,
Ainda convivemos com a agressão ecológica.
A tecnologia não cobre os danos terrestres e vegetais.
Por isso, digo e repito:
Tecnologia computadorizada e medicinal,
Tecnologia industrial, especial,
Tecnologia nuclear atômica
Cuidado!
Pode ser uma bomba.
Por isso, digo e repito:
A tecnologia não cobre as vidas,
Esquecidas, e destruídas.


Darlen Gonçalves de Almeida



DOWNLOAD: FRED WESLEY & THE JB'S -
DAMN RIGHT I AM SOMEBODY - 1974








DOWNLOAD: ARTO LINDSAY - NOON CHILL - 1998 - 192Kbps
http://sharebee.com/fc182a94



-----------------------------------------------------------------------------------------


DOWNLOAD: ONENESS OF JUJU - AFRICAN RHYTHMS - 1975
http://rapidshare.com/files/69967079/1975_-_African_Rhythms.rar

CARANGUEJOS COM CÉREBRO




MANGUE, O CONCEITO

Estuário. Parte terminal de rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os
manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos das marés. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.
Estima-se que duas mil espécies de
microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro.
Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das
muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

MANGUETOWN, A CIDADE
A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex)cidade *
maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.
Em contrapartida, o
desvairio irresistível de uma cínica noção de *progresso*, que elevou a cidade ao posto de *metrópole* do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.
Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose
econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.

MANGUE, A CENA

Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de
infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de
idéias pop. O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.
Hoje, Os
mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.
Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. A descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas. No rastro dela, surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo
clipes, filmes e muito mais. Pouco a pouco, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown.


Renato L e Fred04



DOWNLOAD: CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - DA LAMA AO CAOS - 1994 -
http://www.badongo.com/pt/file/5192486



DOWNLOAD: MUNDO LIVRE S/A - SAMBA ESQUEMA NOISE - 1994 - 192Kbps
http://www.mediafire.com/?zycizwmzbx9

GENOCÍDIO



Trechos de cartas enviadas à Espanha por Hernán Cortés, genocida espanhol que aniquilou a civilização asteca no México entre 1519 e 1526:

"Antes que os nativos pudessem se juntar, queimei seis povoados e prendi e levei para o acampamento quatrocentas pessoas, entre homens e mulheres, sem que me fizessem qualquer dano."

"Como sempre que batíamos em retirada ao final do dia, estando os índios seguindo nossos cavalos em grande alarido, resolvi preparar-lhes uma cilada. (...) Depois que os nossos passaram por ali no fim da tarde, os de cavalo caíram sobre os inimigos que vinham logo atrás. Foi uma cilada muito bem feita e conseguimos matar uns quinhentos índios."

"Antes do amanhecer do dia seguinte tornei a sair com cavalos, peões e índios e queimei dez povoados, onde havia mais de três mil casas."

"No outro dia vieram cerca de cinquenta índios que traziam comida e começaram a olhar as saídas de nosso acampamento, bem como as cabanas onde dormíamos. Os de Cempoal vieram até mim e alertaram-me para olhar aqueles homens que eram maus e vinham espionar. Dissimuladamente prendi um deles sem que os outros vissem. (...) Depois tomei mais outros cinco ou seis e todos confessaram a mesma coisa. Em vista disso, mandei prender todos os cinquenta e cortar-lhes as mãos e os enviei a seu senhor para que dissessem a ele que quando ele viesse saberia quem éramos"




DOWNLOAD: TOMMY GUERRERO - SOUL FOOD TAQUERIA - 2003 - 192Kbps
http://sharebee.com/a3f6e57b

EMBRIAGUE-SE



É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser.
Mas embriague-se. E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".



Charles Baudelaire




DOWNLOAD: SCOTTY HARD'S RADICAL RECONSTRUCTIVE SURGERY - 2006
http://www.mediafire.com/?qymnzyzdtyi

MANIFESTO MADEIRISTA



"Não sei muito acerca de deuses, mas creio que o rio
É um poderoso deus castanho ; taciturno, indômito e intratável,
Paciente até certo ponto, a princípio reconhecido como fronteira,
Útil, inconfidente, como um caixeiro viajante.
Depois, apenas um problema que ao construtor de pontes desafia."

T.S. Eliot



Não basta
os limites de uma cidade, de uma região, de um território, de uma língua:
todos os limites são virtuais e imprestáveis: criar pontes
(que também são imprestáveis) entre os limites:
sair dos limites: passear no vazio, no ilimitado,
no além do programa.Não basta
Madeira, Nilo, Ganges, Tietê, Mississipi,
São Francisco, Sena, Tâmisa, Amazonas, Indo:
não basta florestas, desertos, oceanos, continentes, ilhas,
corpo, voz, desejo ou sonho: limites a serem contagiados
pelo construtor de pontes: tanto faz quanto tanto foz.

Não basta
os regionalismos nem os cosmopolitismos das moneras:
não basta: precisamos de pontes e, de repente, o gozo em saltar as pontes:
e no fluxo mortal, mergulhar, gozando todos os sonos.
Não basta o Boto, a Bôta, a Cobra Grande, o Boi:
olhar do colonizador, olhar gordo de ocidentalidades turistas.

Não basta Macunaíma ou Miramar:
pouca canibalidade, muita imitação e respeito.
Não basta riobaldos e sinhás vitórias:
não basta a Grande Arte:
não basta esta gosma de classe média
pregada em edifícios de papel: não basta.
Não basta essa Identidade Nacional:
não basta nem a identidade nem o nacional:
muito menos o internacional.

Não basta o sentido nem a razão. Não basta a forma nem o formato.
Não basta a aspereza nem o tédio. Não basta o linear nem o mistério.
Não basta o policial nem o cômico. Não basta nem a alminha nem o carma.
Não basta o horóscopo nem o nome. Não basta a data nem a hora.
Não basta o peso nem o pesado. Não basta essa palavra colada às coisas
como se fosse uma barata morta ou restos de carne sobre a cama.

Não basta Gramáticas, Ortografias nem Dicionários.
Não basta a Bíblia, o Corão nem o Manual dos Escoteiros.
Não basta nem Kama Sutra nem Código Civil.
Não basta nem erudição nem Jeca Tatu.
Não basta essa fé provinciana nem esse lirismo água com açúcar.
Não basta a nova nem a velha Bossa.
Não basta o samba nem o carnaval. Não basta o negro nem o índio.
Não basta o branco nem o amarelo. Não basta Europa ou África.
Não basta nem Ásia nem azia, América ou Oceania. Não basta gêneros:
nada basta esse bastar.

Não basta o grito nem o sussurro.
Não basta.
É sempre muito pouco.
É sempre sempre igual.
Não basta.
Não basta nem a bundinha, nem a garrafinha, nem o uisquinho,
nem a prainha, nem as avenidinhas, nem Ariano, nem os Campos,
nem francês nem inglês, nem todas essas igrejas mortas,
nem todo esse lerolero global, nem milongas nem toadas.

Não basta.
Não basta essa falta de fome.
Não basta a história, a memória, a escória.
Não basta a Geografia, a Antropologia, a inútil Sociologia.
Não basta esse falso erotismo: esse falo flácido sem flanar:
é preciso a obscenidade radical: não basta a devoração canibal:
é preciso ser libertino: não basta devorar:
é preciso desmembrar o mundo:
torná-lo vazio: sem sentido: e remontá-lo no meio da praça:
não basta tê-lo devorado até a saciedade: é preciso maculá-lo:
remontá-lo com outro sentido e sentido algum:
é preciso libertar a palavra, o som, a imagem, o corpo,
e o não de todo esse peso,
de todas essas idéias, de toda asperidade,
de toda autoridade:
tudo preso a tudo por nada,
sem pontes, sem o deslimite do depois das pontes
e do vôo sobre as pontes: tanto faz quanto tanto foz.

Não basta nenhuma crença: não bastam Deuses, Demônios, Pátrias,
coronéis, generais e lobisomens:
não basta nem miséria nem riqueza:
só a obsessão cria as pontes
e somente a libertinagem do libertino
cria a liberdade radical,
aquela que pode nos fazer saltar pontes
sem precisar a travessia,
para nada,
por gozo.

Basta de descritivismo, de predomínio do objeto.
Basta dessa arte sem imaginação,
sem sonho,
sem invisibilidade,
cheia de realidades tolamente visíveis,
pré-visíveis tramas televisivas.
Basta desse falso diálogo de jornal invadindo a palavra.
Basta de arte-mercadoria: a arte não vale nada:
não é valor/trabalho: o artista não é trabalhador:
arte não é ofício:
arte é orifício.

Basta desse respeito à linguagem:
é preciso implodi-la para insignificar:
precisa ser tocada, maculada, desmembrada
para enlouquecer e deixar fluir e fluir-se.

Basta de caminhar
dentro do estúpido senso comum das mídias, dessa crítica amigável,
dessa bajulação mútua, dessa análise historicista:
mero acalanto de boiadas.

Chega de Primeiro, Segundo e Terceiro mundo:
a arte é o gozo que dissolve o concreto do mundo:
tanto faz quanto tanto foz.
E chega de bastar:
é preciso reaprender a gozar.

Somos criadores:
pairamos sempre sobre as águas,
mordendo os dedos dos pés,
criando o círculo de fogo sobre o nada:
precisamos somente dizer o faça-se:
essa palavra vinda do mais
íntimo das entranhas:
tanto faz quanto tanto foz:
cadê a tua voz?


Alberto Lins Caldas, Carlos Moreira, Joéser Silva, Gláucio Giordanni, Bira Lourenço


DOWNLOAD: LINTON KWESI JOHNSON - DREAD BEAT AN' BLOOD - 1978
http://rapidshare.com/files/64553418/LintonKwesiJohnson78DreadBeatAnBlood.rar

Ode ao burguês

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
- Um colar... - Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...


Mário de Andrade


DOWNLOAD: DARONDO - LET MY PEOPLE GO - 2006 - 217Kbps

ANTIPSIQUIATRIA


Submetidos a uma tecnologia exagerada e a um cientificismo dogmático, chamados erroneamente de progresso, somos em verdade bonecos ricamente vestidos de um circo de marionetes. Como seres que sentem e pensam com independência e inteligência, simplesmente não existimos. Somos robôs de fortíssimos mecanismos de controle social. Com o surgimento da contracultura muitos desses aspectos repressivos de controle da sociedade organizada vieram à tona.

A ciência, outrora apresentada como de indiscutível benefício ao ser humano, tem sido contestada nos seus mais diversos aspectos, e já não são poucos os que a vêem como uma arma de afirmação do establishment. Dogmas científicos, deduções esdrúxulas, induções calamitosas, agir desastrado e status quo são hoje mesma coisa.

Surgida junto com a contracultura, a antipsiquiatria ataca a psiquiatria oficial, tendo-a como filha do cientificismo e cerebralismo moderno. Dentre esses antipsiquiatras, destacaram-se David Laing, David Cooper, Franco Besaglia e Morton Schatzman. Eles foram aríetes contra os rótulos estigmatizantes, contra a cronificação dos enfermos mentais e sua despersonificação, contra o rechaço ao contato real e afetivo com o paciente.

"Homem, homem, antes de mais nada, conhece-te a ti mesmo!"... "Médico, médico, primeiro cura teus próprios males e achaques e depois vem e cura os meus!".


A loucura é vista por Laing e Cooper como provocada por fatores sociais externos ou por fatores familiares (como alegam Freud, Reich, Jung e respectivas correntes psicanalíticas), não como sendo provocado por fatores internos ou bioquímicos-fisiológicos-cerebrais (visão da Psiquiatria Organicista Oficial).

Os antipsiquiatras consideram a loucura como a perda de uma condição até certo ponto inerente ao ser humano. Ou seja, a possibilidade de manifestar harmoniosamente o próprio pensamento e conseqüente execução do ato propositado. Quando os pensamentos estruturantes e os pensamentos discursivos se agigantam, instala-se a confusão mental que bloqueia a manifestação natural da mente, da qual surge a harmonia e a liberdade Interior.

Se nos dermos conta de que a nossa sociedade interesseira, calculista e nada espontânea, está em adiantado estado de putrefação, não parecerão tão estranhas e heréticas todas essas colocações, ainda mais quando elas podem se converter em diagnóstico correto e em terapia adequada.



DOWNLOAD: KOKOLO AFROBEAT ORCHESTRA - MORE CONSIDERATION - 2004 - 192Kbps
http://sharebee.com/48a15bb2

CONDICIONAMENTO






Este é o segredo da felicidade e da virtude: amarmos o que somos obrigados a fazer. Tal é a finalidade de todo condicionamento: amar o destino social de que não se pode escapar.


Aldous Huxley












DOWNLOAD: DJ SHADOW - PREEMPTIVE STRIKE - 1998

EZTÉTIKA DA FOME


(...)
A América Latina permanece colônia e o que diferencia o colonialismo de ontem do atual é apenas a forma mais aprimorada do colonizador: e além dos colonizadores de fato, as formas sutis daqueles que também sobre nós armam futuros botes. O problema internacional da AL é ainda um caso de mudança de colonizadores, sendo que uma libertação possível estará ainda por muito tempo em função de uma nova dependência.

Este condicionamento econômico e político nos levou ao raquitismo filosófico e à impotência, que às vezes inconsciente, às vezes não, geram no primeiro caso, a esterelidade e no segundo a histeria.
(...)
A fome latina não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é a nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.
(...)
Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entende. Para o europeu é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro é uma vergonha nacional. Ele não come, mas tem vergonha de dizer isto; e, sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós - que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto - que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem mas agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: a mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de mistificação política e de ufanista mentira cultural: os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar ofício sem ensinar o analfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu: impôs- se a violência de suas imagens e sons em vinte e dois festivais internacionais.

Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência, e a violência de um faminto não é primitivismo. Fabiano é primitivo? Antão é primitivo? Corisco é primitivo? A mulher de Porto das Caixas é primitiva?

Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva e revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado: somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas o colonizado é um escravo: foi preciso um primeiro policial morto para o francês perceber um argelino.
(...)


Glauber Rocha

Clique aqui e leia o texto na íntegra.


A VERDADEIRA DÍVIDA



Aqui eu, Guaicaipuro Cuatémoc, descendente dos que povoaram a América faz quarenta mil anos, vim encontrar aos que aqui se encontram faz quinhentos anos.


O irmão usureiro europeu me pede pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei vender-me. O irmão leguleio europeu me explica que toda dívida se paga com interesses, ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.

Também eu posso reclamar pagamento, posso reclamar interesses. Consta no arquivo das Índias, papel sobre papel, recibo sobre recibo, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lúcar de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. Saque? Expoliação? Genocídio?

Não. Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de vários empréstimos amigáveis da América para o desenvolvimento da Europa.

O contrário seria presumir crimes de guerra, o que daria direito, não só a exigir devolução imediata, como também indenização por danos e prejuízos. Eu prefiro crer na menos ofensiva das hipóteses.

Tão fabulosas exportações de capital não foram mais que o início de um plano para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, defensores da álgebra, da poligamia, do banho diário e outras conquistas superiores da civilização.

Fizeram, os irmãos europeus, um uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos recursos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional?

Deploramos dizer que não.

No estratégico, o dilapidaram em inúmeras batalhas, armadas invencíveis, terceiros Reich e outras formas de extermínio mútuo.

No financeiro foram incapazes de tornar-se independentes das rendas líquidas, das matérias primas e da energia barata que os exporta o mundo subdesenvolvido. Obriga-nos a reclamar-lhes - para seu próprio bem - o pagamento de interesses que, tão generosamente, demoramos todos esses séculos para receber.

Ao dizer isto, aclaramos que não nos rebaixaremos a ponto de cobrar dos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas flutuantes de 20 a até 30% que os irmãos europeus cobram aos povos do submundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, corrigidos em 10% ao ano, acumulados durante os últimos 300 anos. Sobre esta base aplicando a européia forma de interesse composto, informamos aos descobridores que só nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 180 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas elevadas à potência de 300. Ou seja, um número para cuja expressão total, seriam necessárias mais de 300 cifras e que supera amplamente o peso da terra.

Muito pesadas são estas barras de ouro e prata! Quanto pesariam calculadas em sangue?

Concluir que a Europa em meio milênio não pôde gerar riquezas para saldar o que deve, seria o mesmo que admitir seu absoluto fracasso financeiro e, ou, a demencial irracionalidade dos supostos do capitalismo.

cacique Guaicaipuro Cuatémoc


DOWNLOAD: DJ KRUSH & TOSHINORI KONDO - KI-OKU - 1998 -
http://rapidshare.com/files/74471404/DJKrushToshinoriKondoKiOku.zip

MALAGUETA, PERUS & BACANAÇO



(...)
- Entra, cara de pau.
E sorriu para Perus.
- Aberto. Entra, velho, você e o garotão. Cem paus por cabeça.
Houve os olhares de soslaio, perguntando-se. Houve a casada, houve as escolhas de tacos, os movimentos dos homens se curvando sobre a mesa. Iam sérios. Os bondes rangiam lá fora e os homens em volta da mesa faziam o silêncio que se faz ao ruído das bolas. Faziam o silêncio do joguinho, por demais, por demais preocupados.
As bolas corriam. E Bacanaço sorria.
À sua segunda tacada, o menino Perus assobiou. Era o “Garufa”, velho tango argentino falando das desventuras de um otário ofertado, inveterado protetor de prostitutas e falso malandro de uma noite lá num parque japonês... Um incorrigível, um papagaio enfeitado, um malandro de café com leite e pão com manteiga e o resto era engano. O “Garufa” assobiado – um sinal convencionado com que os finos malandros de jogo avisam-se que há otário nas proximidades ou trapaça funcionando e lucro em perspectiva.
Do lado de lá do balcão, Bacanaço também assobiou o “Garufa”.
E os olhos malandros dos três se encontraram, se riram, se ajustaram, gozosamente, na sintonia de um conluio que nasceu dissimulado.
(...)


João Antônio


DOWNLOAD: BRISE-GLACE - WHEN IN VANITAS... - 1994
http://rapidshare.com/files/62676212/Brise-Glace.zip.html

PLÁGIO





As idéias se aperfeiçoam. O sentido das palavras também. O plagiato é necessário. O avanço implica-o. Ele acerca-se estreitamente da frase de um autor, serve-se das suas expressões, suprime uma idéia falsa, substitui-a pela idéia justa.


Guy Debord









LINKS ROUBADOS


DOWNLOAD: JOÃO DONATO - A BAD DONATO - 1970
http://rapidshare.com/files/30466252/A_Bad_Donato_-_1970.rar.html



DOWNLOAD: MARKU RIBAS - UNDERGROUND - 1972
http://www.mediafire.com/?almttd3l3vu



DOWNLOAD: AZIMUTH - 1975 - 192Kbps

A TEUS PÉS



Trilha sonora ao fundo: piano no bordel, vozes barganhando
uma informação difícil. agora silêncio; silêncio eletrônico,
produzido no sintetizador que antes construiu a ameaça das
asas batendo freneticamente.
Apuro técnico.
Os canais que só existem no mapa.
O aspecto moral da experiência.
Primeiro ato da imaginação.
Suborno no bordel.
Eu tenho uma idéia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.
Memórias de copacabana. Santa Clara às 3 da tarde.
Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos.
Billy the Kid versus Drácula.
Drácula versus Billy the Kid.
Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o seu
amor de ontem.
Gertrude: estas são idéias bem comuns.
Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela.
Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte.
É sempre um pouco tarde.
Não presta atenção em mim.
Olha aqueles três barcos colados imóveis no meio do grande rio.
Estamos em cima da hora.
Daydream.
Quem caça mais o olho um do outro?
Sou eu que admito vitória.
Ela que mora conosco então nem se fala.
Caça, caça.
E faz passos pesados subindo a escada correndo.
Outra cena da minha vida.
Um amigo velho vive em táxis.
Dentro de um táxi é que ele me diz que quer chorar mas não chora.
Não esqueço mais.
E a última, eu já te contei?
É assim.
Estamos parados.
Você lê sem parar, eu ouço uma canção.
Agora estamos em movimento.
Atravessando a grande ponte olhando o grande rio e os três
barcos colados imóveis no meio.
Você anda um pouco na frente.
Penso que sou mais nova do que sou.
Bem nova.
Estamos deitados.
Você acorda correndo.
Sonhei outra vez com a mesma coisa.
Estamos pensando.
Na mesma ordem de coisas.
Não, não na mesma ordem de coisas.
É domingo de manhã (não é dia útil às três da tarde).
Quando a memória está útil.
Usa.
Agora é a sua vez.
Do you believe in love...?
Então está.
Não insisto mais.


Ana Cristina César



DOWNLOAD: MONK HIGGINS - SHEBA, BABY OST - 1975
http://lix.in/afd29878

QUEIMEM BANCOS


Frases pixadas durante a insurreição que tomou as ruas da França em março (e meses seguintes) de 2006, ocasião em que milhares de jovens protestavam contra o Estado e sua truculência física e legislativa, ações motivadas pela criação da lei que instituiu o CPE - Contrato de Primeiro Emprego -, que fodia ainda mais a vida dos jovens, e pelo despejo violento dos estudantes que então ocupavam a Universidade de Sorbonne. Milhares de carros foram queimados e instituições destruídas.


Polícia em toda parte = justiça em parte alguma

Não
ao Estado, à midia e ao patronato

Para pagamento ruim, trabalho ruim

Chega de ser razoável

Construam escolas e as prisões serão desnecessárias

Viva o convívio mútuo e a solidariedade
Morte ao produtivismo e ao consumismo

Destituam todos os políticos

Destruição é rejuvenescimento

Queimem bancos

Lucidez é uma forma de resistência

A melhor forma de votar é arrancar pedras da calçada e lançá-las nas cabeças dos políticos

Não implore pelo direito de viver, tome-o

O ego é uma prisão

As eleições mudam as moscas, a alternativa real está nas ruas

Somos livres para abolir vosso mundo

Mídia por toda parte = informação em parte alguma

Não
tenha medo de nada

Somos incansáveis

Quem semeia miséria colhe fúria

Se ninguém obedece, ninguém comanda



DOWNLOAD: BADEN POWELL & VINÍCIUS DE MORAES
- OS AFRO SAMBAS - 1966

O CINEMA E SUA DÚVIDA



"Não há meias medidas. Ou a realidade ou a ficção. Reportagem ou mise-en-scène. Opta-se a fundo pela arte ou pelo acaso - construção ou constatação?" (pris sur le vif: Jean Luc Godard): o cinema e sua dúvida: o que é realmente o cinema?

O cinema, assinala Robert Bresson, é "movimento interior" - a arte de não dizer nada não é código nem espetáculo mas uma linguagem de imagens e sons em movimento capaz de produzir a voz do silêncio. Cinema não é teatro nem música ou literatura. Se para Roger Vadim "é uma arte das massas" para Jean Pierre Melville "não se pode levar o cinema muito a sério". Já para Godard trata-se de uma "arte ilusória; detesto o cinema; o verdadeiro cinema consiste em pôr alguma coisa diante da câmera". Atenção para a definição de Fellini: "O cinema é a arte em que o homem se reconhece da maneira mais imediata: um espelho no qual deveríamos ter coragem para descobrir nossa alma". E Alain Resnais: "O filme é uma tentativa ainda grosseira e primária de aproximar-nos da complexidade do pensamento, do seu mecanismo". Nicholas Ray: "É a melodia do olho". Orson Welles assegura: "Eu não amo o cinema, salvo quando eu filmo; então é preciso saber não ser tímido com a câmera. É preciso violentá-la, forçá-la em suas últimas reentrâncias, pois ela é uma vil mecânica - o que interessa é a poesia." "Ação, ação, ação - acentua o talento aceso de Raoul Walsh. - A tela deve estar sempre cheia de acontecimentos". "A câmera deve ser um lápis na mão do diretor", segundo W. D. Murnau.

(Atenção aprendizes, débeis mentais ou cegos de espírito: "É preciso introduzir uma grande variedade de elementos diferentes num filme para que seja construído mais ou menos como uma peça musical, uma sinfonia").



Rogério Sganzerla



DOWNLOAD: THE GENTLE RAIN - MOODY - 1973 - 256Kbps
http://sharebee.com/f9dc598c

AFREAKA! - DEMON FUZZ - 1971

DOWNLOAD - AFREAKA! - DEMON FUZZ - 1971

É TEMPO DE MUDANÇA







Nossa cultura, auto-intoxicada pelos subprodutos venenosos da tecnologia e pela ideologia egocêntrica, é a infeliz herdeira da atitude dominadora que diz que a alteração da consciência atravé
s do uso de plantas ou de substâncias é errada, onanística e perversamente anti-social. Estamos matando o planeta para manter intactas as suposições equivocadas do estilo cultural dominador do ego.


Terence McKenna








DOWNLOAD: CONSOLIDATED - FRIENDLY FA$CISM - 1991

NEOCOLONIALISMO


Com o fim da Guerra Fria, os países do mundo subdesenvolvido estão mais submissos ao poder dos EUA. Essa é a razão pela qual os golpes militares não são mais necessários na América Latina. Hoje existem os "senados virtuais", a dívida externa, a liberalização do capital como formas de controle. Claro que as elites latino-americanas participam de tudo isso. Elas adoram esses esquemas, sempre foi assim. (...) A dívida externa do Brasil deveria ser cancelada, pois 98% da população não tem nada a ver com ela, quem a contraiu foram os ditadores, os grandes latifundiários e a elite.

Noam Chomsky




DOWNLOAD: HOUSE OF PAIN - FINE MALT LYRICS - 1992

A ALMA FEMININA


A alma feminina jaz adormecida dentro dos trapos, das jóias, do império da moda – a eterna sultana desse harém de civilizados que ainda compram, vendem, exploram, seduzem, abandonam por imprestável a mesma mulher, cuja posse exclusiva consiste a sua preocupação única. É deprimente a situação da mulher neste meio de cafetismo social em que os homens não sabem olhar uma mulher senão desrespeitando-a.




Maria Lacerda de Moura


Clique aqui e leia o texto na íntegra.





CHRISTIANIA


Christiania é uma comunidade na Dinamarca em que mais de dez mil pessoas vivem harmonicamente sem que haja um poder centralizado. Christiania não tem prefeito, não tem eleição e funciona sem governo - sem imposição de leis que controlem a organização social. A comunidade assim resiste libertariamente há mais de 20 anos.

Limpeza das ruas, rede de esgoto, manutenção dos serviços básicos, tudo é decidido e feito a partir de reuniões entre os moradores da cidade. Eles se definem como uma comunidade ecologicamente orientada, com uma economia discreta e muita autogestão, sem hierarquia estabelecida e o máximo de liberdade e poder para o indivíduo. Uma verdadeira democracia popular direta, onde o bom senso e o diálogo substituem as leis.

Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se autodestruirá se não existir um controle sobre a liberdade individual. Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar na contramão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de poder e corrupção.


Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social, cada morador da cidade livre tem de fazer sua parte como cidadão e confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na honestidade e na solidariedade. Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de democracia e formas de autogestão da administração pública. Contrariando o pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão.


Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam. Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas. Durante os primeiros anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen.


Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.


O Solvognen também usou a criatividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da Europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil pessoas recebem uma grande ceia em Christiania.



DOWNLOAD: FUN LOVIN' CRIMINALS - 100% COLOMBIAN - 1998 - 320 Kbps

CARLOS LATUFF








Trabalhos do cartunista carioca Carlos Latuff.
http://latuff2.deviantart.com/




















HACKTIVISMO


Os monumentos arquitetônicos do poder são ocos e vazios, e funcionam agora apenas como casamatas para os cúmplices e complacentes. São lugares bem guardados que revelam apenas vestígios de poder. E como toda arquitetura monumental, silenciam a resistência e a indignação através de sinais de resolução, continuidade, coisificação e nostalgia.
(...)
Não apenas a polícia, mas criminosos, viciados e mesmo os sem-teto estão sendo usados como destruidores do espaço público. A aparência da plebe, junto com o espetáculo da mídia, permitiu que as forças da ordem construíssem a percepção histérica de que as ruas são perigosas, insalubres e inúteis. A promessa de segurança e familiaridade atrai hordas de ingênuos para espaçoes públicos privatizados como os shopping centers. O preço dessa proteção é a renúncia à soberania individual. Ninguém, além da mercadoria, tem direitos no shopping center. As ruas em particular e os espaços públicos em geral estão em ruínas.

(...)
A resistência ao poder deve se dar no ciberespaço e não no espaço físico. O jogador pós moderno é um jogador eletrônico. Um pequeno mas coordenado grupo de hackers poderia introduzir virus e bombas eletrônicas em bancos de dados, programas e redes de autoridade, colocando a força destrutiva da inércia contra o domínio do Estado.


Critical Art Ensemble, em Distúrbio Eletrônico


DOWNLOAD: SONIC YOUTH - WASHING MACHINE - 1995
http://www.zshare.net/download/5655959541a72fe1/

MANIFESTO ANTROPÓFAGO


Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.


Tupy, or not tupy that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
(...)
Contra todos os importadores de consciência
enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade prelógica para o Sr. Levi Bruhl estudar.

Queremos a revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem. A idade do ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
(...)
Nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

(...)
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipejú.

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Matias. Comi-o.
(...)
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: -É a mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
(...)
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
(...)
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: - Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.


Oswald de Andrade. Em Piratininga, Ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha.
Originalmente publicado em Revista de Antropofagia, n.1, ano 1, maio de 1928, São Paulo.

Clique aqui e leia o Manifesto na íntegra.

DOWNLOAD: UNIÃO BLACK - 2006
http://rapidshare.com/files/104645822/Banda_Uniao_Black.zip

TENÓRIO JR.


Ícone da Bossa Nova, o pianista brasileiro Francisco Tenório Junior foi mais um dos inúmeros assassinados pelos sangrentos regimes ditatoriais que se instalaram na América Latina ao longo do século XX.

Em 1964, aos 21 anos, Tenório gravou seu primeiro e único disco, Embalo. Ao seu lado, os músicos Sérgio Barroso (baixo), Milton Banana (bateria), Rubens Bassini (congas), Celso Brando (violão), Neco (guitarra), Pedro Paulo e Maurílio (trompete), Edson Maciel e Raul de Souza (trombone), Paulo Moura (sax alto), J. T. Meirelles e Hector Costita (sax tenor). Desde então, e ao longo dos anos 70, Tenorinho, como também era conhecido, tornou-se um dos mais respeitados músicos brasileiros.

Em 1976, Tenório Jr. viajou para Buenos Aires, acompanhando Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê. No dia 18 de março, após uma apresentação no Teatro Grand Rex, os músicos foram para o Hotel Normandie, onde estavam hospedados. Durante a madrugada, o pianista resolveu sair em busca de remédios e nunca mais voltou. Foi preso pela rede clandestina da repressão oficial argentina. Torturado durante nove dias, após ter ficado claro o seu não envolvimento com atividades políticas, recebeu um tiro na cabeça. Deixou Carmen Cerqueira Magalhães, sua mulher, grávida, além de quatro filhos. A quinta criança nasceu um mês após o seu desaparecimento.

Vinícius de Moraes, Toquinho e mais alguns amigos, como o poeta Ferreira Gullar (exilado em Buenos Aires) mobilizaram-se inutilmente. Procuraram em hospitais e delegacias e buscaram ajuda na embaixada brasileira. O governo brasileiro, em 1976, informou que nada sabia e o Itamaraty anunciou que "envidava esforços" para localizar o pianista desaparecido. Mentira.

Em fevereiro de 2006, a Comissão de Mortos e Desaparecidos do governo federal reconheceu a culpa do Estado pelo desaparecimento do pianista Tenório Júnior. A relatora do processo de Tenório Júnior, Márcia Adorno Ramos, afirmou que, apesar de o fato ter ocorrido em outro país, o governo brasileiro pouco fez para tentar descobrir o paradeiro de Tenório. Ela acusou o Estado de não se esforçar. “O fato de existirem lacunas nos arquivos das representações diplomáticas em Buenos Aires que pudessem esclarecer os fatos, não exime o Estado brasileiro de sua responsabilidade sobre a apuração do fato. Muito se noticiou na imprensa brasileira sobre o desaparecimento da vítima por parte de amigos e familiares, mas não há registro na imprensa da época, e nos anos seguintes, sobre o empenho das autoridades estatais a elucidar o caso. Houve total silêncio das autoridades no curso desses quase 30 anos do ocorrido. É dever do Estado a proteção de seus nacionais em quaisquer circunstâncias”, diz a relatora. O governo argentino reconheceu que Tenório foi vítima da ditadura instalada no país e pagou indenização à família.

Mesmo a embaixada brasileira tendo sido comunicada do assassinato de Tenorinho, no mesmo mês de março de 1976, o governo brasileiro jamais tomou a iniciativa de se comunicar com os familiares do músico, que não receberam sequer seus restos mortais.


DOWNLOAD: TENÓRIO JUNIOR - EMBALO - 1964
http://rapidshare.com/files/65381138/Tenorio_Jr_-_Embalo.zip

LAMENTO NACIONAL DE UM GUERREIRO



Ouviram do Ipiranga às margens plácidas,
atrás das margens, gritos reprimidos por tortura,
lágrimas de um povo heróico – o brado que não retumba

O sol da liberdade, em raios contidos tem vergonha de brilhar
em nossa Pátria
Se a mentira desta igualdade, conseguimos demonstrar com braços mortos,
Em Teu seio, ó Liberdade, desafia à mortandade planejada
Ó Pátria amada, atraiçoada, queremos te salvar!
Brasil de um sonho intenso e pesadelo imenso
Um raio frio de amor e de esperança com a Terra chora
Se em teu fumaçoso céu, choroso e inerte,
à imagem do Cruzeiro, de vergonha não aparece
Gigante pela própria natureza!
És devastada, destruída, humilhada e fragilizada, sem amor,
Ó antigo colosso, e o teu futuro espelha este horror
Terra adorada por poucos – somente pelos filhos da Terra
Entre outras mil és tu Brasil como as demais latino-terras
Dos filhos indignos deste solo és mãe humilhada,
Pátria amada por poucos... Brasil.
Deitado eternamente amordaçado e outros em berço esplêndido,
ao som do mar e rios poluídos, trevas que afrontam o céu profundo..
Fulguras, Ó Brasil, como terceiro mundo, como lixo da América
abandonado e violado na camuflagem
que impede a chegada do sol para um novo mundo.
Do que a terra, mais varrida
Teus chorosos, tristes campos não têm flores
Nossos bosques têm desertos
Nossa vida no Teu seio, mais horrores
Ó Pátria amada
Idolatrada por alguns,
Salve-se! Salve-se!
Brasil de amor oculto nas florestas seja símbolo.
O lábaro que ostentas camuflado
E diga ao verde-louro desbotado pela farsa,
que a Paz é possível no futuro se os falsos filhos forem embora
para deixar cicatrizar as chagas do passado!
Mas se ergues da justiça (clavada)
verás que só os verdadeiros filhos não fogem à luta
e te cultuam nos resguardos das florestas e aldeias isoladas.
Nem teme, quem te adora de verdade, sem dinheiro, sem títulos e sem fardas.
Terra adorada!
Entre outras mil também és saqueada e humilhada.
Dos filhos deste solo, tens vergonha dos que violam tuas entranhas,
deserdados pela força de ancestrais heróis que ora se juntam a nós –
filhos autênticos que por ti morreram e morrem, Mãe Gentil,
PÁTRIA AMADA E AMARRADA, BRASIL!


Manuel Fernandes Moura, Índio Tukano




DOWNLOAD: MILES DAVIS - ON THE CORNER - 1972 - 320 Kbps
http://www.zshare.net/download/630847635644e491/

GET STONED!





MANIFESTO DO CINEMA DE INVENÇÃO
Jairo Ferreira



I

Cinema de Invenção é Cinema do Novo Aeon
Todo cineinventor e toda cineinventora é uma estrela.
Constelação cósmico/cômica da Errância.

II

A primeira carta do Tarot é o mago: cinemagia.
Big-Bang. Akasha. Quintessência.
Pré-estréia: Precessão dos Equinócios.

III

Cinema de Invenção é Tradição.
O que está em cima é como o que está aqui.
Lei de Thelema

IV

Minha alegria é ver sua alegria.
Amor sob vontade.
418: ABRAHADABRA

V

A anarquia é a prova dos nove.
Cinevida: sonho.
555. Energia.

VI

Cinemúsica da luz: Samadhi.
O equilíbrio entre o significante e o significado.
666. Raio de luz.


VII

Cinema do (G)rito. Cinema (nô)made.
Novas percepções no horizonte do (im)provável.
AUM: OM


VIII

A verdade digitam a 24 quilates por segundo.
Cinema parabolicamente visionário.
Work in progress.


IX

Cineanônimo.
Atípico. Inominado.
Iluminado.


X

Cinemastral.
Tu não tens nenhum direito a não ser fazer o que quiseres
Tetragammaton

XI

Cinema é Amor
Cinema de Invenção.
Sagrada Diversão



DOWNLOAD: BUKKY LEO & BLACK EGYPT - AFROBEAT VISIONS - 2005
parte 1: http://sharebee.com/445cd82d
parte 2: http://sharebee.com/12be90c1

ALL COPS ARE BASTARDS





A polícia do Rio tem seus próprios problemas. Em semanas recentes, os jornais registraram meia dúzia de casos de policiais matando moradores de rua e mendigos para depois lançar os corpos em rios próximos, que desaguam na Baía de Guanabara.

(...)

Um colunista do Brazil Herald, o jornal diário de língua inglesa do Rio, observou que “o método adotado por muitos membros da polícia para lidar com o problema social é se livrar da miséria, lançando mendigos no rio... não está sendo aprovado por todos, apesar de sua inegável eficácia.”

Os policiais são suspeitos de aplicar sumariamente a pena de morte a indivíduos considerados maus elementos. E mais: o povo imagina que o terrorismo usado em alguns distritos policiais parece ser o tratamento normal não apenas para criminosos perigosos, mas também para meros suspeitos e possivelmente até mesmo para inimigos pessoais dos policiais.

Segundo a opinião de um homem, “ser expulso da corporação não pode ser considerado uma punição cruel ou incomum para policiais que matam pedintes ou moradores de rua que os incomodam e se metem no seu caminho enquanto estão tentando fazer seu trabalho – que consiste principalmente em coletar propinas”.

(...)

Onde a autoridade civil é fraca e corrupta, o exército acaba se tornando rei. Até mesmo as palavras “justiça” e “autoridade” assumem significados diferentes. O exército não vê crime em sua ação.


Hunter Thompson, fevereiro de 1963


DOWNLOAD: LOVAGE
- MUSIC TO MAKE LOVE TO YOUR OLD LADY BY - 2001

SOUL SISTERS - X-RATED BLAXPLOITATION























DOWNLOAD: SOUL SISTERS - 256Kbps
http://sharebee.com/b106679e

SLY & THE FAMILY STONE

Clique aqui e assista ao vídeo Desenquadramento, de Leandro Pinto, originalmente incluído neste post.

DOWNLOAD: SLY & THE FAMILY STONE -
THERE'S A RIOT GOIN' ON - 1971 - 192Kbps

PARANÓIA EM ASTRAKAN


Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci
onde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos com lágrimas invulneráveis
onde crianças católicas oferecem limões para pequenos paquidermes que saem escondidos das tocas
onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros para os telhados estéreis e incendeiam internatos
onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam a descarga sobre o mundo

onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha no seu hálito
onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua última janela
onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizonte branco

onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe escurecendo a página
onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das beatas
onde as cartas reclamam drinks de emergência para lindos tornozelos arranhados
onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas penas
onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da imaginação

Roberto Piva em "Paranóia", p. 27, 2a. ed., IMS, 2000



DOWNLOAD: DOM SALVADOR E ABOLIÇÃO
- SOM, SANGUE E RAÇA - 1971 - 320 Kbps

ESPELHO



Levantei-me e fui ao banheiro. Me dava raiva olhar o espelho, mas olhei assim mesmo. Vi depressão e derrota. Bolsas escuras caídas sob os olhos. Olhinhos covardes, os olhos do rato acuado pelo puto do gato. A pele parecia que nem tentava. Que odiava fazer parte de mim. As sobrancelhas caíam retorcidas, pareciam dementes, dementes pêlos de sobrancelhas. Horrível. Uma aparência repugnante. E eu não estava nem querendo evacuar. Todo entupido. Uma vez conheci um cara que ficou dias sem defecar. Acabou explodindo. De verdade. A merda saiu voando da barriga. Fui á privada mijar. Fiz pontaria corretamente, mas saiu de lado e molhou o chão. Tentei mudar a pontaria, mas acabei molhando a tampa da privada, que esquecera de levantar. Puxei um pouco de papel higiênico e passei no lugar. Limpei a tampa. Joguei o papel dentro e dei descarga. Fui até a janela e vi um gato cagando no telhado ao lado. Aí voltei ao banheiro, peguei a escova de dentes, apertei a bisnaga. Saiu demais. Oscilou sobre a escova e caiu na pia. Era verde. Parecia uma lombriga verde. Meti o dedo nela, pus na escova e comecei a escovar. Dentes. Que coisa da porra. Tínhamos de comer. E comer e comer de novo. Éramos todos repugnantes, condenados aos nossos trabalhinhos sujos. Comer e peidar e se coçar e sorrir e festejar nos feriados.


Charles Bukowski


DOWNLOAD: AFRODIZZ - FROOTS - 2006 - 320Kbps

DEVV E DIVV



Percebendo a importância da luz do sol sobre a terra, o homem imaginou que essa luz seria uma emanação protetora de Deus. Da idéia de que existia um único sol, surgiu o monoteísmo, isto é, a crença em um só Deus. Das palavras Devv e Divv, que em sânscrito significam sol e luminoso, originou-se a palavra deus. Daí, em grego, a palavra Zeus; em latim, deo; para os irlandeses, dias; em italiano dio, etc. A parte do tempo em que a terra recebe a luz do sol recebeu o nome dia em oposição ao período de trevas, a noite. O dia teria sido um presente divino, graças à luz solar. Conseguindo produzir o fogo, aumentou a crença humana no deus sol. Graças ao fogo, o homem pôde libertar-se de um dos seus maiores inimigos, que era o frio, assim como passou a cozinhar os seus alimentos. Devendo cada vez mais a vida ao calor, a gratidão do homem para com o sol cresceu ainda mais. Foi assim que nasceu o mito solar, do qual Jesus Cristo é o último rebento. Por uma série de ilações, chegaram igualmente à concepção do significado místico da cruz. Dos raios solares foi criada uma cruz, espargindo raios por todos os lados. Da mesma forma foi a idéia do Espírito Santo, um espírito benfazejo, que irradia a bondade divina. Depois a seqüência mística do sol, o fogo e o vento, dando origem a Salvitri, Agni e Vayu, do mito védico. O rito védico celebra o nascimento de Salvitri, o deus-sol, em 25 de dezembro, no solstício, quando aparecem as refulgentes estrelas. As estrelas trazem a boa nova, a perspectiva de boas colheitas. Daí os sacrifícios e os ritos propiciatórios oferecidos ao deus-sol. Assim os cristãos encontraram o seu Jesus Cristo. A vida dos deuses redentores é a vida do sol. Por isso, todos eles tiveram suas datas de nascimento fixadas em 25 de dezembro: Mitra, Horus e Jesus Cristo. Também é simbólica a ressurreição na primavera, tempo da germinação e das folhas novas. Baseando-se nisto, Aristóteles e Platão admitiram uma certa racionalidade dos que adoravam o sol.


La Sagesse, em "Jesus Cristo nunca existiu".





DOWNLOAD: MALO - 1972 - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/25742419/malo_1972.rar.html

CINEMA



Os verdadeiros grandes filmes ainda não foram feitos e não serão obra das grandes empresas, mas de amadores, no sentido literal, de gente apaixonada, sem fins comerciais. E esses filmes serão feitos de arte de verdade.

Robert Flaherty








DOWNLOAD: PARLIAMENT
- THE CLONES OF DR. FUNKENSTEIN - 1976

OSIBISA COVER ART







_____________________________________



DOWNLOAD: OSIBISA - WELCOME HOME - 1977 - 192Kbps

ESCRAVIDÃO ASSALARIADA OU FOME?





Ó gentis homens, a vida é curta. Se vivemos, vivemos para marchar sobre a cabeça dos reis.

Shakespeare, Henrique IV


DOWNLOAD: MULATU ASTATKE -
ETHIOPIQUES VOL.4: ETHIOJAZZ & MUSIQUE INSTRUMENTALE (69-74) - 192Kbps

SOBRE O ESTADO


A fim de poder desenvolver-se em conformidade com a sua natureza, o Estado utiliza em mim as tesouras da cultura, dá-me uma educação e uma formação apropriadas a ele e não a Mim. Ensinando-me, por exemplo, a respeitar as leis, a abster-me de atentar contra a propriedade de Estado (quer dizer, a propriedade privada), a venerar a majestade divina e terrestre, em resumo, ensina-me a ser irrepreensível, sacrificando minha particularidade ao sagrado. (...) É nisso que consiste o gênero educação e cultura que me pode dar o Estado: ele faz de mim um instrumento utilizável, um membro útil da sociedade.


Max Stirner






DOWNLOAD: JUDGMENT NIGHT SOUNDTRACK - 1993

NOVELA: A DOENÇA DA NAÇÃO



Não quero convencer ninguém mas, se me perguntarem porque não há eleições diretas para Presidência há mais de um quarto de século eu responderei (acreditem se quiser) que há pouco menos do que isso o imaginário nacional foi ocupado por uma manipulação de natureza escatológica, muito mais do que escapismo ou válvula de escape, é alienação 100% embrutecedora, chamada novela. Não é arte, diga-se de passagem, aqui não vai nenhum preconceito contra uma fórmula (não há forma) de dominação mental de 120 milhões de humilhados pela gratuidade descartável do universo baixo entretenimento; a fórmula deriva do folhetim, um gênero igualmente periódico, alimentador de sonhos e pesadelos descartáveis, mas com uma incomparável qualidade artística e estilística que a telenovela, infelizmente, não tem... Se tivesse alguma qualidade de informação artística ou cultural, com seu quarto de século de insistência redundante, já teria apresentado. Afora o comportamento (freqüentemente falso, deformado e classista) a novela nada tem a ver com arte ou cultura.

(...)

A cada dia e noite milhões de brasileiros são ludibriados pela gratuidade ostensiva de cenários alheios à encenação, em que a desejável ação interior é substituída pela multiplicação de coadjuvantes que só servem para encher lingüiça ou – suprema descoberta da "modernidade" mais irritante... – o império pouco criativo e previsível do "merchandising" abusivo. Da arte moderna, os clichês; dos efeitos cinematográficos, os defeitos televisivos; da liberação de costumes, a coisificação mercadológica. A fórmula antimágica da novela brasileira só retira e expropria, confisca o público, oprimido pelo custo de vida, sem pão nem circo (mal servido pelo cinema, traído pelo futebol, bombardeado pelo rádio) não tem muitas opções senão suportar o discurso, resistindo à saturação pelo esquecimento de sua criatividade, negada há decadas nas urnas, câmeras e microfones.

O povo brasileiro, tradicionalmente espontâneo e inventivo, se esquece de sua famosa intuição, bossa, sexto sentido através do quê? A novela é um dos mais destacados capítulos da história do desespero alienado de um povo humilhado pela infeliz marcha dos acontecimentos...

Bate-bocas e têtes a tete (reuniões) que só levam à galinhagem pura e simples.

Resultado: a classe média sobrevive sob a síndrome da passarela.

A população não quer ver, nem ouvir com olhos e ouvidos livres, mas tão somente ser vista, aparecer, fazer fama para deitar na cama do sub-sucesso fácil, talvez virar sub-super-star de uma hora para outra, trair sua condição colonial, enganando aos outros e, pior de tudo, a si mesmo. O brasileiro não quer ver mas ser visto. Nem escolher mas ser escolhido pelo sistema babilônico...

Macaquear é preciso... Estão aí os videotismos, cacoetes e maneirismos.

Passar a perna, levar vantagem, tirar proveito próprio explicam mais a nação ocupada pela má-consciência do que o complexo de culpa e a culpabilidade colonial de autores (às vezes competentes, em luta contra o aparelho repressivo no interior da produção/distribuição do sub-produto pasteurizado, censura igualmente primária).

O videotismo é total. Isso sem falar no provincianismo, redundância, ausência de expressão e dicção, mediocrização do ser humano, cretinização da opinião pública, desacerto dos cortes entre uma seqüência e outra, imposição de bandas sonoras importadas de péssima qualidade, mitificação da mediocridade, abuso de autoridade e desrespeito ao próximo, nível ginasiano da representação...

Não falaremos dos comerciais porque aí o panorama é ainda mais desolador.


Rogério Sganzerla, maio de 1988.

Clique aqui e assista a um trecho do filme Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla.

Clique aqui e leia na íntegra o texto do qual foi retirado o trecho acima.
Clique aqui e leia outros textos de e sobre Sganzerla.

DOWNLOAD: ANTONIO CARLOS & JOCAFI - MUDEI DE IDÉIA - 1971 - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/16119056/acej_mudei_de_ideia.rar.html

PROVOS


Eles deram o pontapé inicial para a legalização do consumo de drogas na Holanda. Eles transformaram a bicicleta no mais folclórico meio de transporte de Amsterdam. Eles desenharam o uniforme que os Beatles usavam na capa de Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band.

Como bons anarquistas que eram, os Provos (corruptela do termo "provokatie", ou "provocação") não chegaram a caracterizar um movimento organizado, menos ainda uma ideologia. A intenção desses jovens tresloucados do início dos anos 60 era debochar o mais cinicamente das tradições monárquicas holandesas da Casa Real de Orange e sua protegé , a burguesia consumista - o que conseguiram fazer com o máximo de diversão e ousadia. Ao contrário de seus irmãos caçulas, os românticos hippies, não desejavam mudar o mundo: " Não podemos convencer as massas, e talvez sequer nos interesse fazer isso. O que podemos esperar deste bando de apáticas, indolentes, tolas baratas? É mais fácil o sol surgir no oeste do que eclodir uma revolução nos Países Baixos (...) O homem médio é um comedor de repolhos, improdutivo, não-criativo, emotivo. Alguém que se diverte fazendo fila nos guichês", dizia a primeira de uma incendiária série de edições de revistas "Provo". E ainda: "Provo tem consciência de que no final perderá, mas não pode deixar escapar a ocasião de cumprir ao menos uma qüinquagésima e sincera tentativa de provocar a sociedade".


DOWNLOAD: MIGUEL DE DEUS - BLACK SOUL BROTHERS - 1977 - 320 Kbps
http://rapidshare.com/files/16346715/miguel_de_deus_black_soul_brothers_1977.rar.html

DIREITO ÀS DROGAS





por que não devo fumar, me drogar, fumar até me fartar? se pessoalmente não gosto, nunca provei e tenho outros desejos, outro caminho, outra ordem, não posso nem devo dizer aos outros o que tomar, o que beber, o que cheirar, o que injetar; somente estados e sociedades facistóides e preocupadas com a saúde e os horários de seus funcionários pode criar leis proibindo, regulando e punindo o consumo ou a “apologia aos crime” (mais uma vez crime de opinião, de expressão, de idéias).


Alberto Lins Caldas










DOWNLOAD: JEAN PIERRE MIROUZE
- LE MARIAGE COLLECTIF OST - 160Kbps

DEFINIÇÕES SITUACIONISTAS


SITUAÇÃO CONSTRUÍDA
Momento da vida, construído concreta e intencionalmente para a organização coletiva de um ambiente unitário e de um jogo de acontecimentos.

SITUACIONISTA
Que ou quem se relaciona com a teoria e/ou a prática da construção de situações. Quem se dedica a construir situações. Membro da Internacional Situacionista.

SITUACIONISMO
Vocábulo carente de sentido, derivação abusiva do vocábulo situacionista. Não existe situacionismo, pretensa doutrina de interpretação dos feitos existentes. A noção de situacionismo foi concebida pelos anti-situacionistas.

PSICOGEOGRAFIA
Estuda os efeitos do meio geográfico, ordenado conscientemente ou não, e suas influências sobre o comportamento afetivo dos indivíduos.

PSICOGEOGRÁFICO
Relativo à psicogeografia. Estudo e transmissão das realidades psicogeográficas.

DERIVA
Modo de comportamento experimental, ligado às condições da sociedade urbana; técnica que consiste em passar apressado, por ambientes diversos. Designa, também e mais particularmente, a duração de um exercício contínuo dessa experiência.

URBANISMO UNITÁRIO
Teoria do emprego conjunto das artes e técnicas para a construção integral de um meio, em união dinâmica com experiências de comportamento.

TERGIVERSAÇÃO (DESVIO) **
Abreviação da fórmula: tergiversação (desvio) de elementos estéticos pré-fabricados. Integração de produções atuais ou passadas da arte, numa construção superior à média. Ou seja: não há pintura nem música situacionista, mas um uso situacionista desses meios. Num sentido mais primitivo, a tergiversação (desvio) no interior das antigas esferas culturais é um ato de propaganda que testemunha a mesquinhez e a perda de importância dessas esferas.

CULTURA
Reflexo e prefiguração, em cada momento histórico, das possibilidades de organização da vida cotidiana. Complexo estatístico de sentimentos e costumes, mediante o qual uma coletividade se relaciona com a sobrevivência que lhe é fornecida objetivamente pela economia. (Definimos este termo somente na perspectiva da criação de valores, e não de sua doutrina).

DECOMPOSIÇÃO
Processo de autodestruição das formas culturais tradicionais, em conseqüência do aparecimento de técnicas superiores de dominação da natureza, que permitem e exigem instituições culturais superiores. Distinguem-se: uma fase ativa de decomposição, demolição efetiva das velhas estruturas, que acabou em 1930; uma fase de repetição que domina desde então. O atraso na passagem da decomposição às instituições novas decorre do atraso na liquidação revolucionária do capitalismo.




DOWNLOAD: MICATONE - NOMAD SONGS - 2005 - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/16421281/micatone_nomad_songs.rar.html

BOLO'BOLO



Viver neste planeta não é tão agradável quanto poderia ser. É óbvio que alguma coisa não deu certo na espaçonave Terra, mas o quê? Talvez um equívoco fundamental quando a natureza (ou quem quer que tenha sido) resolveu pôr em prática a idéia "Ser Humano". Ora. Por que deveria esse animal andar sobre duas pernas e começar a pensar? Mas, enfim, quanto a isso não há muita escolha - temos que aprender a lidar com esse erro da natureza, isto é, nós mesmos. Erros existem para aprendermos com eles.

Em tempos pré-históricos o negócio não parecia tão mau. Durante o Paleolítico, cinqüenta mil anos atrás, éramos muito poucos. Havia comida abundante (caça e vegetais), e sobreviver exigia só um tempinho de trabalho com esforços modestos. Catar raízes, castanhas ou amoras (não esquecer cogumelos) e matar (ou melhor, pegar na arapuca) coelhos, cangurus, peixes, pássaros ou gamos levava duas a três horas por dia. Repartíamos a carne e os vegetais com os outros e passávamos o resto do tempo dormindo, sonhando, tomando banho de mar e de cachoeira, fazendo amor ou contando histórias. Alguns de nós começaram a pintar as paredes das cavernas, a esculpir ossos e troncos, a inventar novas armadilhas e canções.

Perambulávamos pelos campos em bandos de vinte e cinco, mais ou menos, com um mínimo de bagagem e pertences. Preferíamos climas suaves, como o da África, e não havia civilização para expulsar a gente em direção aos desertos, tundras e montanhas. O Paleolítico deve ter sido mesmo um bom negócio, a se acreditar nos recentes achados antropológicos. É por isso que ficamos nele por milhares de anos - um período longo e feliz, comparado com os dois séculos do atual pesadelo industrial.

Aí alguém começou a brincar com plantas e sementes e inventou a agricultura. Parecia uma boa idéia: não tínhamos mais que andar procurando vegetais. Mas a vida ficou mais complicada e trabalhosa. Éramos obrigados a ficar no mesmo lugar por vários meses, a guardar sementes para o plantio seguinte, a planejar e executar o trabalho nos campos . E ainda precisávamos defender as roças dos nossos primos nômades, caçadores e coletores que insistiam em que tudo pertencia a todo mundo.

Começaram os conflitos entre fazendeiros, caçadores e pastores. Foi preciso explicar aos outros que havíamos trabalhado para acumular nossas provisões, e eles nem tinham uma palavra para trabalho.

O planejamento, a reserva de comida, a defesa, as cercas, a necessidade de organização e autodisciplina abriram caminho para organismos sociais especializados como igrejas, comandos, exércitos. Criamos religiões com rituais de fertilidade para nos manter convictos da nossa nova escolha de vida. A tentação de voltar à liberdade de caçadores e coletores deve ter sido uma ameaça constante; e, fosse com patriarcado ou matriarcado, estávamos a caminho da instituição, família e propriedade.

Com o crescimento das antigas civilizações na Mesopotâmia, Índia, China e Egito, o equilíbrio entre os humanos e os recursos naturais estava definitivamente arruinado. Programou-se aí o futuro enguiço da espaçonave. Organismos centralizadores desenvolveram sua própria dinâmica; tornamo-nos vítimas da nossa criação. Em vez de duas horas por dia, trabalhávamos dez ou mais nos campos ou nas construções dos faraós e césares. Morríamos nas guerras deles, éramos deportados como escravos quando eles resolviam, e quem tentasse voltar à liberdade anterior era torturado, mutilado, morto.

Com o início da industrialização as coisas não melhoraram. Para esmagar as rebeliões na lavoura e a crescente independência dos artesãos nas cidades, introduziu-se o sistema de fábricas. Em vez de capatazes e chicotes, usavam máquinas. Elas comandavam nosso ritmo de ação, punindo automaticamente com acidentes, mantendo-nos sob controle em vastos galpões. Mais uma vez progresso significava trabalho e mais trabalho, em condições ainda mais assassinas. A sociedade inteira, em todo o planeta, estava voltada para uma enorme Máquina do Trabalho. E essa Máquina do Trabalho era ao mesmo tempo uma Máquina da Guerra para qualquer um - de dentro ou de fora - que ousasse se opor. A guerra se tornou industrial, como o trabalho; aliás, paz e trabalho nunca foram compatíveis. Não se pode aceitar a destruição pelo trabalho e evitar que a mesma máquina mate os outros; não se pode recusar a própria liberdade sem ameaçar a liberdade alheia. A Guerra se tornou tão absoluta quanto o Trabalho.

A nova Máquina do Trabalho criou grandes Ilusões sobre um futuro melhor. Afinal, se o presente era tão miserável, o futuro só podia ser melhor. Até mesmo as organizações de trabalhadores se convenceram de que a industrialização estabeleceria bases para uma sociedade mais livre, com mais tempo disponível, mais prazeres. Utopistas, socialistas e comunistas acreditaram na indústria. Marx pensou que com essa ajuda os humanos poderiam caçar, fazer poesia, gozar a vida novamente. (Pra que tanta volta?) Lenin e Stalin, Castro e Mao e todos os outros pediram Mais Sacrifício para construir a nova sociedade. Mas mesmo o socialismo não passava de um novo truque da Máquina do Trabalho, estendendo seu poder às áreas onde o capital privado não chegaria. À Máquina do Trabalho não importa ser manejada por multinacionais ou por burocracias de Estado, seu objetivo é sempre o mesmo: roubar nosso tempo para produzir aço.

A Máquina do Trabalho e da Guerra arruinou definitivamente nossa espaçonave e seu futuro natural: os móveis (selvas, bosques, lagos, mares) estão em farrapos; nossos amiguinhos (baleias, tartarugas, tigres, águias) foram exterminados ou ameaçados; o ar (fumaça, chuva ácida, resíduos industriais) é fedorento e perdeu todo o sentido de equilíbrio; as reservas (combustíveis fósseis, carvão, metais) vão se esgotando; e está em preparo (holocausto nuclear) a completa autodestruição. Não somos capazes nem de alimentar todos os passageiros desta nave avariada. Ficamos tão nervosos e irritáveis que estamos prontos para os piores tipos de guerra: nacionalistas, raciais ou religiosas. Para muitos de nós, o holocausto nuclear não é mais uma ameaça, mas a bem-vinda libertação do medo, do tédio, da opressão e da escravidão.

Três mil anos de civilização e duzentos de acelerado progresso industrial deixaram a gente com uma enorme ressaca. A tal da economia se tornou um objetivo em si mesma, e está quase nos engolindo. Este hotel aterroriza seus hóspedes. Mesmo a gente sendo hóspede e hoteleiro ao mesmo tempo.

Esse é o primeiro capítulo do Manifesto Bolo'Bolo: "Uma Grande Ressaca".

Clique aqui e leia o manifesto na íntegra.


DOWNLOAD TORRENT: JIMI TENOR - HIGHER PLANES - 2003

INCÔMODO




como todos os outros dias de minha vida me sinto alienado... eu sou um alienado... distante da simplicidade natural... das atividades econômicas básicas... das construções técnicas e arquitetônicas necessárias...
essa alienação me entristece... não muito mas ao ponto de incomodar...
para muitas pessoas esse sentimento talvez não exista: tudo se resume em uma só necessidade: ganhar dinheiro; o fato de isso ser artificial e exigir submissão política parece não afetar os caipiras reacionários, mas acho que o povo está muito longe de conhecer a felicidade mesmo que faça propaganda em contrário...
o conformismo da mediocridade é a pior opressão que existe... todos satisfeitos com a televisão, a música, a festa, a bebedeira, a dança, o mercado, o sexo, o trabalho, a hierarquia, o deus cristão, a moral, a família e eu na mais profunda solidão por considerar que tudo ao redor não passa de um mecanismo de persuasão e sedução para afastar meu ser de si mesmo... duvido muito que haja felicidade na ignorância... não é vivendo como todo mundo vive que vou conhecer meu próprio ser...
até que ponto o conhecimento-de-si coincide com a aquisição da virtude que conduz à felicidade? essa é, no meu entender, a questão socrática-platônica fundamental... saber quem sou eu é ter consciência da virtude sagrada que há em mim... essa proposição se depara com uma série de obstáculos, "cascas", obstruções, barreiras, censuras, repressões e obrigações que devem ser superadas para que a proposição não seja uma mera "idéia", mas sim a verdade de minha existência...
vejo os homens e as mulheres vivendo à sombra de muitas ilusões... pensam que são as muralhas, barreiras, obrigações e repressões, e se afastam e se esquecem de quem verdadeiramente são... distantes da própria virtude, não gozam a felicidade... por isso tanta insastisfação camuflada, que explode, cotidianamente, em atos de violência sem sentido...
toda a violência e maldade que os homens e as mulheres cometem, entre si, contra si ou contra a natureza, não é nada mais que um reflexo desse alheamento e ruptura consigo mesmo...
conhece-te a ti mesmo e fazes o que quiseres... sem sabedoria não há liberdade e vice-versa...
saúde & paz

Leandro Pinto


DOWNLOAD: CUT CHEMIST - RARE EQUATIONS - 2002 - 192Kbps

███████████████████████████████████████████████████

DOWNLOADS: JAMES BROWN


SOUL PRIDE: THE INSTRUMENTALS (1960-1969)
http://www.megaupload.com/dk/?d=V2ZD92JX



BLACK CAESAR OST - 1973


LIVE AT THE APOLLO THEATRE, HARLEM, NY - 1962
http://rapidshare.com/files/106345073/Live_at_the_Apollo__1963_.rar


THE PAYBACK - 1974 -
parte 1: http://sharebee.com/98655bac
parte 2: http://sharebee.com/b0ab5eb0

CRENÇA RELIGIOSA & ESTUPIDEZ


Não acredito que, medindo vantagens e desvantagens, a crença religiosa tenha sido uma força a favor do bem. Embora esteja disposto a admitir que em certas épocas e lugares produziu bons resultados, considero-a pertencente à infância do raciocínio humano, a uma fase de desenvolvimento que já estamos superando.

Bertrand Russell





Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo estúpida.

Anatole France





DOWNLOAD: DRUMS OF DEATH - 2005

EROTISMO


"Não existe prazer que não esteja em busca da sua coerência. A sua interrupção, a sua não satisfação provoca um distúrbio semelhante à estase de que fala Reich. Os mecanismos opressivos do poder mantém os seres humanos em um estado de crise permanente. O prazer e a angústia nascidos de uma ausência têm portanto essencialmente uma função social. O erotismo é o desenvolvimento das paixões que se tornam unitárias, um jogo sobre unidade e multiplicidade, sem o qual não existe coerência revolucionária"

(O tédio é sempre contra-revolucionário – Internationale Situationniste, nº 3).

Wilhelm Reich atribuiu a maioria dos comportamentos neuróticos aos distúrbios do orgasmo, àquilo que ele chama de “impotência orgástica”. Segundo ele, a angústia surge da incapacidade de ter um orgasmo completo, surge de uma descarga sexual que não consegue liquidar totalmente toda a excitação mobilizada pela atividade sexual preliminar (carícias, jogos eróticos, sedução...). A teoria reichiana considera que a energia acumulada e não gasta se torna flutuante e se transforma em angústia. A angústia por sua vez impede um orgasmo completo futuro.

Ora, o problema das tensões e da sua liquidação não se coloca apenas no plano da sexualidade, ele caracteriza todas as relações humanas. Mesmo que Reich o tenha pressentido, ele não mostrou de modo suficiente que a crise social atual é também uma crise de tipo orgástico. Se “a fonte de energia da neurose se encontra na disparidade entre a acumulação e a descarga de energia sexual”, parece-me que a fonte de energia das nossas neuroses se encontra também na disparidade entre a acumulação e a descarga de energia posta em ação nas relações humanas. O gozo total é ainda possível no momento do amor, mas assim que nos esforçamos em prolongar esse momento, em lhe dar uma extensão social, não se escapa àquilo a que Reich chama de “estase”. O mundo do deficitário e do incompleto é o mundo da crise permamente. Como seria então uma sociedade sem neurose? Seria uma festa permanente, com o prazer como único guia.

Quanto mais o prazer cresce em intensidade, mais reivindica a totalidade do mundo. É por isso que me agrada saudar como um slogan revolucionário a exortação de Breton: “Amantes, dêem um ao outro cada vez mais um prazer maior!”

A civilização ocidental é uma civilização do trabalho e, como diz Diógenes: “O amor é a ocupação dos preguiçosos”. Com o desaparecimento gradual do trabalho forçado, o amor é chamado a reconquistar o terreno perdido. E isso não deixa de trazer perigo para todas as formas de autoridade. Por ser unitário, o erotismo implica a liberdade da multiplicidade. Não existe melhor propaganda para a liberdade do que a serena liberdade de gozar. É por isso que o prazer é na maior parte do tempo confinado à clandestinidade, o amor, em um quarto, a criatividade, debaixo da escada da cultura, o álcool e a droga, à sombra das leis etc.

Finalmente a busca do prazer é a melhor garantia do lúdico. Ele salvaguarda a participação autêntica, protegendo-a contra o sacrifício, a coação, a mentira. Os diferentes graus de intensidade do prazer definem o domínio da subjetividade sobre o mundo. Assim, o capricho é o jogo do desejo em estado nascente; o desejo, o jogo da paixão nascente. E o jogo da paixão encontra a coerência na poesia da revolução.


Raoul Vaneigem, em A Arte de Viver Para as Novas Gerações. São Paulo, Conrad Livros, 2002.


DOWNLOAD: DON JULIAN - SAVAGE! OST - 1973 - 224Kbps

NYABINGHI

Clique aqui e assista a um video de Ras Michael interpretando Black Man Land, originalmente incluído neste post.


DOWNLOAD: RAS MICHAEL & SONS OF NEGUS - LOVE THY NEIGHBOUR - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/5723326/RasMichael_LovethyNeighbour.rar.html

ALGUNS DOS INÚMEROS MOTIVOS PARA BOICOTAR O CONGLOMERADO GLOBO


  • Apoiou a ditadura militar.
  • Nunca se pronunciou contra a censura prévia à imprensa.
  • Ignorou a tortura e sempre encampou as versões oficiais em relação aos desaparecidos políticos.
  • Boicotou a Campanha das Diretas enquanto pôde. É dessa época a frase: “O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo”.
  • Seu núcleo de Jornalismo distorce as notícias, manipula dados estatísticos, omite, deforma e ficciona a História brasileira e mundial. Por isso, o Jornal Nacional tem o apelido carinhoso de Ilha da Fantasia.
  • A Globo atuou e atua abertamente dentro do Congresso Nacional, pressionando e corrompendo os deputados, com o objetivo de atender a interesses próprios como o de melar a votação sobre as mudanças na Lei de Concessão de Canais de TV e Emissoras de Rádio.
  • Quando brasileiros viajam ao exterior e alguém fica sabendo que são brasileiros, sempre perguntam: “Ah, você é daquele país que é governado por um canal de televisão?”
  • Através das telenovelas, a TV Globo uniformizou até a fala do brasileiro, destruindo o folclore, a cultura, os sotaques e dialetos regionais.
Clique aqui e faça o download do documentário "Muito Além do Cidadão Kane", de Simon Hartog, produzido em 1993 pelo Channel 4 para a BBC. O documentário discute o poder da Rede Globo e teve sua exibição proibida no Brasil.

Clique aqui para assistir a esse documentário online.

Clique aqui e leia algumas passagens interessantes a respeito da Globo.

BOICOTEMOS O CONGLOMERADO GLOBO.





DOWNLOAD: O.V.WRIGHT - THE SOUL OF O.V.WRIGHT - 192Kbps

PECADO, REMORSO E LIBERDADE


O que Péricles considerava como caminhando por si mesmo era, numa palavra, o fato de que os homens devem aceitar a sua natureza tal como lhes foi dada. O homem possui um espírito? Pois bem: que pense então. Tem sentidos? Que sinta, que seja sensual. Tem instintos? Que sejam satisfeitos. Tem paixões? É bom que o homem, vez por outra, se entregue a elas. Tem imaginação, sentimento do belo, sentido do temor respeitoso? Que ceie e se cerque de formas deliciosas, que adore. O homem é múltiplo, inconseqüente e contraditório. O seu politeísmo dava uma sanção divina a essa aceitação realista. “Todos os Deuses devem ser louvados”. Não havia, pois, a necessidade de remorso, nem de consciência de pecado. A conservação do equilíbrio instável entre tantos elementos mutuamente hostis era uma questão de tato, de senso comum, de julgamento estético. Por outro lado, os atos de devoção patrióticas e a obediência às leis agiam, poderosamente, como força de contenção e moderação. Mais poderosamente, talvez, do que entre nós. Porque a liberdade dos antigos era diferente da nossa. Para tudo que se referia à vida privada, às relações dométicas, ela era total: no que tocava, porém, ao Estado, era estritamente limitada. Jamais ocorreria a um grego a idéia de reclamar pretensões anárquicas do moderno individualista. Como cidadão, ela achava que devia a cidade a sua pessoa e tudo que possuía. Esse sentimento ainda era bastante poderoso, mesmo nos últimos séculos do Império Romano, para que fosse possível ao imperador exigir, daqueles que desfrutavam de certa opulência, os mais exorbitantes sacrifícios de tempo e dinheiro. No começo do século IV, as pesadas e custosas honras da dignidade senatorial nas províncias se tornaram obrigatórias e hereditárias. Os infelizes magistrados e todos os seus descendentes foram condenados a uma espécie de trabalhos forçados perpétuos e de multa perpétua – a um castigo hereditário cuja única solução previsível era a extinção total da familia, ou a sua ruína irremediável. Nenhum governo moderno poderia exigir tamanhos sacrifícios de seus governados. Mas os romanos do século IV se resignaram; erram cidadãos e sabiam que o dever do cidadão é pagar. Que as tradições do bom cidadão não são suficientes em si para manter o homem (por oposição ao cidadão) em equilíbrio e harmonia, demonstra-o a história dos romanos. Desprovidos, como eram, de tacto e julgamento estético, assim como do senso sutil da proporção e da harmonia que os gregos possuíam, os romanos caíram, desde que se tornaram senhores do mundo, em um estado de sordidez moral, o mais repugnante possível. Como os espartanos, eles só eram virtuosos no campo de batalha.

Aldous Huxley



DOWNLOAD: TOM ZÉ - 1968 - 192Kbps
http://rapidshare.com/files/2923039/grande_liquidacao.rar.html


Clique aqui pra saber mais informações sobre o disco.

TERROR



Depois do ato terrorista em Nova York, políticos de todos os partidos e nações convocam para a defesa conjunta do "nosso Estado democrático contra "o mundo não civilizado". Não acreditamos que qualquer Estado – americano, alemão, inglês, iraquiano ou afegão – nos proteja do terrorismo. O Estado necessita do terrorismo e é terrorista todos os dias.

O Estado defende os que enriquecem com a miséria de outros, os capitalistas, fazendo-nos brigar por eles: comerciantes de ações e os que especulam com juros; fabricantes de armas, para quem todas as guerras são lucrativas etc.

O Estado democrático está sempre a cometer massacres (como, por exemplo, na guerra do Golfo e na Iugoslávia) e a apoiar os senhores da guerra em outros países. Assim, os EUA primeiro apoiaram o Iraque e o Talibã contra o Irã e a URSS. Hoje, declaram que eles são os seus piores inimigos. Ou seja: o Estado age de modo terrorista, sempre que lhe convém.

Todo Estado necessita de um inimigo interno e no exterior, para melhor controlar seus trabalhadores e justificar os cortes sociais e a exploração intensificada. O ato terrorista nos EUA veio bem a calhar, para todos os representantes estatais dos Estados industrializados, sobretudo para Bush. A crise econômica na Europa e nos EUA vinha se agravando. Nos EUA, foram suprimidos 1 milhão de postos de trabalho na indústria; a Opel anuncia que diminuirá em 15 por cento a produção. A "Nova Economia" se parece cada vez mais com a velha: a AOL pensa em demitir 20 por cento na Alemanha, a HP e outras empresas avisam que haverá redução de salário, os preços das ações continuam despencando etc.

Em que desculpas de merda os políticos estariam pensando, para tentar explicar que - apesar da insuportável exploração e dos salários cada vez menores nos últimos anos e em contraste com a riqueza e alta tecnologia que vemos - o futuro será ainda pior?!

Que farão para nos impedir de lutar contra esta situação e de impor nossas necessidades contra os lucros e os preços das ações?! Depois dos atentados, os políticos rotularão uma grande parte de sua política de crise como "medidas antiterroristas". Contam com o nosso medo de uma grande nova guerra e pensam que por isso aceitaremos as medidas estatais.

Não permitiremos que nos intimidem.


DOWNLOAD: MARVIN GAYE - TROUBLE MAN OST - 1972
http://sharebee.com/aee5f0b4

DADA




A arte ótima será aquela que apresenta conscientemente, em seu conteúdo, os milhares de problemas do cotidiano, uma arte que tenha sido visivelmente abalada pelas explosões da última semana, uma arte que esteja sempre tentando juntar os membros estilhaçados no desastre da véspera. Os artistas melhores, os mais extraordinários, serão aqueles que, a cada momento, arrancam os frangalhos de seus corpos para fora da frenética catarata da vida, que com mãos e corações ensangüentados se agarram à inteligência de seu tempo.



Richard Huelsenbeck, 1917





DOWNLOAD: JAMES MOODY - THE WORLD IS A GHETTO - 2006 - 192Kbps

ENTREVISTA COM TIMOTHY LEARY


- Já fez algo de ilegal ou condenável?
- Milhares de vezes quebrei a lei sobre como usei meu corpo. Gostaria de ter feito isso mais vezes. Vivi minha vida sem nunca fazer nada em segredo que não pudesse ser feito publicamente. Toda a sujeira dos militares, do clero e dos políticos corruptos acontece porque eles fazem coisas escusas secretamente. O FBI costumava fazer escuta no meu telefone e eu dizia: Ótimo, talvez assim eles aprendam alguma coisas.

- Como é ser subversivo psicodélico com mais de setenta anos?
- Faço o que posso. Ainda não me deixam entrar na Inglaterra, Irã e China. Nesses países sou considerado um atentado à ordem pública.

- Qual a maior maldade que você fez?
- Esta é uma questão séria e eu não serei leviano. Porque estive tão envolvido com meu trabalho, o que incluiu ser jogado na prisão, não consegui ser um pai tão bom quanto teria sido desejável.

- Qual seu candidato preferido entre os que disputam a próxima eleição presidencial nos Estados Unidos?
- Assim como a URSS, os Estados Unidos vão entrar em colapso, portanto as eleições americanas não me