



DOWNLOAD: IKE TURNER & THE KINGS OF RHYTHM - A BLACK MAN'S SOUL - 1969 http://www.badongo.com/pt/file/2551192





DOWNLOAD: IKE TURNER & THE KINGS OF RHYTHM - A BLACK MAN'S SOUL - 1969

DOWNLOAD: DIZZY GILLESPIE - FREE RIDE - 1977

DOWNLOAD: CAETANO VELOSO - TRANSA - 1972

Fela Kuti roubado do Nirso e Budos Band II do Rádio Transistor.
DOWNLOAD: THE BUDOS BAND - THE BUDOS BAND II - 2007


DOWNLOAD: THE LAST POETS - CHASTISMENT - 1972

DOWNLOAD: MAX ROMEO & THE UPSETTERS - WAR INA BABYLON - 1976 - VBR



DOWNLOAD: CARLOS DAFÉ - PRA QUE VOU RECORDAR - 1977

DOWNLOAD: AIRTO FOGO - 1976 - 320Kbps

DOWNLOAD: BIG BLACK - SONGS ABOUT FUCKING - 1987

DOWNLOAD: THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE - ELECTRIC LADYLAND - 1968

DOWNLOAD: THE BUDOS BAND - 2005 -

DOWNLOAD: BULLFROG - 2001 - 192 Kbps


não há literatura sem projeto filosófico [não a filosofia enquanto História das Idéias, Pedagogia ou Disciplina, certa racionalidade, certa razão, mas projeto ético/político radical, projeto existencial de saber, ação escritural autoconsciente, projeto diferenciado e negativo: estratégias em busca da negatividade].no entanto a Literatura, normalmente, se funda enquanto perspectiva remodelada da sua própria tradição, da escrita religiosa, dos modelos populares, do jornalismo, da historiografia, da sociologia e até da antropologia sob formas literárias esperadas: conta uma história dentro dos horizontes formais: sua função é contar essa história (sua função é “fabuladora”: contar histórias pra dormir, pra fazer esquecer). o pensamento enquanto negatividade radical não é nem necessário nem possível na Literatura: não é necessário porque são estabelecimentos de formas que existem sem nenhuma radicalidade, nenhuma reflexão perigosa, nenhum pensamento a partir de outra perspectiva; nem é possível porque essa reflexão radical não faz parte da língua, da tradição literária nem da formação do escritor enquanto escrivão da hegemonia, um contador de histórias, um loroteiro vaidoso e letrado da oligarquia das letras, cuja função é reforçar o existente, amortecer o tempo, entorpecer a língua, dar continuidade.pensar o existente não quer dizer pensar com o existente, mas, necessariamente, contra o existente; não com suas aparências, tropos, tipos, modelos, fôrmas, modas, entonações, mas com uma negatividade que escave além do razoável, além das crenças que sustenta a existência do existente, articulando elementos que construam do real seu horror encalacrado.pensar contra faz aparecer não só as razões, os fundamentos, os planos e os movimentos do horror, suas redes e nódulos tecidos com os fios do medo, mas a aparência como uma das suas torções perversas: submeter-se à aparência é o mesmo que ser devorado pelo horror e ver que tudo isso é muito bom.enquanto o que tornou possível a Literatura foi o capitalismo e o universo burguês, o que torna possível a literatura é a pós-modernidade como esse mesmo capitalismo levado ao paroxismo: o fim das utopias, a mundialização radical do capital, a impossibilidade da revolução; o desaparecimento das crenças na história, na natureza em deus e no homem; a onipresença do horror, do sufocamento, da paralisia, do mercado.há uma relação íntima, carnal, entre o horror, as religiões, a hegemonia, o estatal, o mediano, o mercado, a mídia, a educação e a Literatura: sem esses planos penetrantes e abertos pro sim, pro como-não, pro aceito, pro tou-honrado, a Literatura não poderia representar o papel não apenas explícito, mas o papel subliminar e formativo: seu campo de atuação sendo na linguagem atinge diretamente o existente na medida da sua reprodução, manutenção e elogio.a literatura não existe como realidade ou como um já-feito, mas sim como projeto de saber (aquilo que, incompleto, busca o conhecimento através da negação: na dobra, na torção, o específico conhecimento literário, que não é conceitual como na filosofia: jamais universal, jamais regional, jamais nacional) que procura a consciência, se torna consciente e faz tornar consciente a radicalidade da sua negação, da sua perspectiva, da sua específica maneira de pensar e enfrentar o existente enquanto teatro do horror. mas não encontra nenhuma consciência reconhecível, mas aquela que se faz ao sabor-saber literário: não é busca pelo já conhecido, mas por aquilo que nasce de uma reconfiguração, de um outro arranjo. seus problemas, suas investigações, seus confrontos não são feitos com os materiais tradicionais da Literatura, da oligarquia das letras ou do lócus de inspeção, mas do enfrentamento com a língua dos planos vivos do horror.a literatura tem em artaud, bernhard, büchner, céline, genet, beckett, kafka, kavafis, lautréamont, mallarmé, melville, dostoievski, nietzsche, rilke, rimbaud, sade não origens ou genealogias, muito menos os trilhos tradicionais onde foram postos ou um paideuma, mas horizontes de contradição que alimentam as transversais da literatura enquanto enfrentamento do tempo com a linguagem do fundamento.literatura é o outro. é o encontro com outras vozes. é a expressão maior de individualidades. a resistência dessas individualidades. a manifestação plena dessas vozes e dessas vidas. vidas e vozes, experiências e vivências integrais, principalmente num tempo cada vez mais fascista onde o horror é o cotidiano, as relações, o profundo e o raso, o antes, o agora e o depois.a literatura não é mimética, é escrita limpa, sem nomes, sem tecnologias, contra a língua, contra as tradições, contra as tradicções, sem experimentalismo, a literatura é guerrilha contra o tempo: poética da negatividade.
Alberto Lins Caldas
DOWNLOAD: ANARCHIST ACADEMY - ANARCHOPHOBIA - 1994



DOWNLOAD: FRED WESLEY & THE JB'S -

DOWNLOAD: ONENESS OF JUJU - AFRICAN RHYTHMS - 1975

DOWNLOAD: CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - DA LAMA AO CAOS - 1994 -
DOWNLOAD: MUNDO LIVRE S/A - SAMBA ESQUEMA NOISE - 1994 - 192Kbps



DOWNLOAD: LINTON KWESI JOHNSON - DREAD BEAT AN' BLOOD - 1978
Ode ao burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!
Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!
Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
"- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
- Um colar... - Conto e quinhentos!!!
Más nós morremos de fome!"
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
Mário de Andrade

DOWNLOAD: KOKOLO AFROBEAT ORCHESTRA - MORE CONSIDERATION - 2004 - 192Kbps


DOWNLOAD: DJ KRUSH & TOSHINORI KONDO - KI-OKU - 1998 -


DOWNLOAD: JOÃO DONATO - A BAD DONATO - 1970
DOWNLOAD: MARKU RIBAS - UNDERGROUND - 1972
DOWNLOAD: AZIMUTH - 1975 - 192Kbps


Polícia
Não
Para pagamento ruim, trabalho ruim
Chega de ser razoável
Construam escolas e as prisões serão desnecessárias
Viva o convívio mútuo e a solidariedade
Morte ao produtivismo e ao consumismo
Destituam todos os políticos
Destruição é rejuvenescimento
Queimem bancos
Lucidez é uma forma de resistência
A melhor forma de votar é arrancar pedras da calçada e lançá-las nas cabeças dos políticos
Não implore pelo direito de viver, tome-o
O ego é uma prisão
As eleições mudam as moscas, a alternativa real está nas ruas
Somos livres para abolir vosso mundo
Mídia por toda parte = informação
Não
Somos incansáveis
Quem semeia miséria colhe fúria
Se ninguém obedece, ninguém comanda



DOWNLOAD: PORTISHEAD - ROSELAND NYC LIVE - 1998











Tupy, or not tupy that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
(...)
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade prelógica para o Sr. Levi Bruhl estudar.
Queremos a revolução Caraíba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem. A idade do ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
(...)
Nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
(...)
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipejú.
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Matias. Comi-o.
(...)
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: -É a mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
(...)
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
(...)
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: - Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.
Oswald de Andrade.
Originalmente publicado em Revista de Antropofagia, n.1, ano 1, maio de 1928, São Paulo.
Clique aqui e leia o Manifesto na íntegra.
DOWNLOAD: UNIÃO BLACK - 2006
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Ícone da Bossa Nova, o pianista brasileiro Francisco Tenório Junior foi mais um dos inúmeros assassinados pelos sangrentos regimes ditatoriais que se instalaram na América Latina ao longo do século XX.
Em 1976, Tenório Jr. viajou para Buenos Aires, acompanhando Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê. No dia 18 de março, após uma apresentação no Teatro Grand Rex, os músicos foram para o Hotel Normandie, onde estavam hospedados. Durante a madrugada, o pianista resolveu sair em busca de remédios e nunca mais voltou. Foi preso pela rede clandestina da repressão oficial argentina. Torturado durante nove dias, após ter ficado claro o seu não envolvimento com atividades políticas, recebeu um tiro na cabeça. Deixou Carmen Cerqueira Magalhães, sua mulher, grávida, além de quatro filhos. A quinta criança nasceu um mês após o seu desaparecimento.
Vinícius de Moraes, Toquinho e mais alguns amigos, como o poeta Ferreira Gullar (exilado
Em fevereiro de
Mesmo a embaixada brasileira tendo sido comunicada do assassinato de Tenorinho, no mesmo mês de março de 1976, o governo brasileiro jamais tomou a iniciativa de se comunicar com os familiares do músico, que não receberam sequer seus restos mortais.
DOWNLOAD: TENÓRIO JUNIOR - EMBALO - 1964
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DOWNLOAD: MILES DAVIS - ON THE CORNER - 1972 - 320 Kbps
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Cinema de Invenção é Cinema do Novo Aeon
Todo cineinventor e toda cineinventora é uma estrela.
Constelação cósmico/cômica da Errância.
A primeira carta do Tarot é o mago: cinemagia.
Big-Bang. Akasha. Quintessência.
Pré-estréia: Precessão dos Equinócios.
III
Cinema de Invenção é Tradição.
O que está em cima é como o que está aqui.
Lei de Thelema
IV
Minha alegria é ver sua alegria.
Amor sob vontade.
418: ABRAHADABRA
V
A anarquia é a prova dos nove.
Cinevida: sonho.
555. Energia.
VI
Cinemúsica da luz: Samadhi.
O equilíbrio entre o significante e o significado.
666. Raio de luz.
VII
Cinema do (G)rito. Cinema (nô)made.
Novas percepções no horizonte do (im)provável.
AUM: OM
VIII
A verdade digitam a 24 quilates por segundo.
Cinema parabolicamente visionário.
Work in progress.
IX
Cineanônimo.
Atípico. Inominado.
Iluminado.
X
Cinemastral.
Tu não tens nenhum direito a não ser fazer o que quiseres
Tetragammaton
XI

DOWNLOAD: BUKKY LEO & BLACK EGYPT - AFROBEAT VISIONS - 2005
parte 1: http://sharebee.com/445cd82d
parte 2: http://sharebee.com/12be90c1

(...)
Um colunista do Brazil Herald, o jornal diário de língua inglesa do Rio, observou que “o método adotado por muitos membros da polícia para lidar com o problema social é se livrar da miséria, lançando mendigos no rio... não está sendo aprovado por todos, apesar de sua inegável eficácia.”
Os policiais são suspeitos de aplicar sumariamente a pena de morte a indivíduos considerados maus elementos. E mais: o povo imagina que o terrorismo usado em alguns distritos policiais parece ser o tratamento normal não apenas para criminosos perigosos, mas também para meros suspeitos e possivelmente até mesmo para inimigos pessoais dos policiais.
Segundo a opinião de um homem, “ser expulso da corporação não pode ser considerado uma punição cruel ou incomum para policiais que matam pedintes ou moradores de rua que os incomodam e se metem no seu caminho enquanto estão tentando fazer seu trabalho – que consiste principalmente em coletar propinas”.
(...)
Onde a autoridade civil é fraca e corrupta, o exército acaba se tornando rei. Até mesmo as palavras “justiça” e “autoridade” assumem significados diferentes. O exército não vê crime em sua ação.
Hunter Thompson, fevereiro de 1963





DOWNLOAD: MALO - 1972 - 192Kbps
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A fim de poder desenvolver-se em conformidade com a sua natureza, o Estado utiliza em mim as tesouras da cultura, dá-me uma educação e uma formação apropriadas a ele e não a Mim. Ensinando-me, por exemplo, a respeitar as leis, a abster-me de atentar contra a propriedade de Estado (quer dizer, a propriedade privada), a venerar a majestade divina e terrestre, em resumo, ensina-me a ser irrepreensível, sacrificando minha particularidade ao sagrado. (...) É nisso que consiste o gênero educação e cultura que me pode dar o Estado: ele faz de mim um instrumento utilizável, um membro útil da sociedade.
Max Stirner

Não quero convencer ninguém mas, se me perguntarem porque não há eleições diretas para Presidência há mais de um quarto de século eu responderei (acreditem se quiser) que há pouco menos do que isso o imaginário nacional foi ocupado por uma manipulação de natureza escatológica, muito mais do que escapismo ou válvula de escape, é alienação 100% embrutecedora, chamada novela. Não é arte, diga-se de passagem, aqui não vai nenhum preconceito contra uma fórmula (não há forma) de dominação mental de 120 milhões de humilhados pela gratuidade descartável do universo baixo entretenimento; a fórmula deriva do folhetim, um gênero igualmente periódico, alimentador de sonhos e pesadelos descartáveis, mas com uma incomparável qualidade artística e estilística que a telenovela, infelizmente, não tem... Se tivesse alguma qualidade de informação artística ou cultural, com seu quarto de século de insistência redundante, já teria apresentado. Afora o comportamento (freqüentemente falso, deformado e classista) a novela nada tem a ver com arte ou cultura.
(...)
A cada dia e noite milhões de brasileiros são ludibriados pela gratuidade ostensiva de cenários alheios à encenação, em que a desejável ação interior é substituída pela multiplicação de coadjuvantes que só servem para encher lingüiça ou – suprema descoberta da "modernidade" mais irritante... – o império pouco criativo e previsível do "merchandising" abusivo. Da arte moderna, os clichês; dos efeitos cinematográficos, os defeitos televisivos; da liberação de costumes, a coisificação mercadológica. A fórmula antimágica da novela brasileira só retira e expropria, confisca o público, oprimido pelo custo de vida, sem pão nem circo (mal servido pelo cinema, traído pelo futebol, bombardeado pelo rádio) não tem muitas opções senão suportar o discurso, resistindo à saturação pelo esquecimento de sua criatividade, negada há decadas nas urnas, câmeras e microfones.
O povo brasileiro, tradicionalmente espontâneo e inventivo, se esquece de sua famosa intuição, bossa, sexto sentido através do quê? A novela é um dos mais destacados capítulos da história do desespero alienado de um povo humilhado pela infeliz marcha dos acontecimentos...
Bate-bocas e têtes a tete (reuniões) que só levam à galinhagem pura e simples.
Resultado: a classe média sobrevive sob a síndrome da passarela.
A população não quer ver, nem ouvir com olhos e ouvidos livres, mas tão somente ser vista, aparecer, fazer fama para deitar na cama do sub-sucesso fácil, talvez virar sub-super-star de uma hora para outra, trair sua condição colonial, enganando aos outros e, pior de tudo, a si mesmo. O brasileiro não quer ver mas ser visto. Nem escolher mas ser escolhido pelo sistema babilônico...
Macaquear é preciso... Estão aí os videotismos, cacoetes e maneirismos.
Passar a perna, levar vantagem, tirar proveito próprio explicam mais a nação ocupada pela má-consciência do que o complexo de culpa e a culpabilidade colonial de autores (às vezes competentes, em luta contra o aparelho repressivo no interior da produção/distribuição do sub-produto pasteurizado, censura igualmente primária).
O videotismo é total. Isso sem falar no provincianismo, redundância, ausência de expressão e dicção, mediocrização do ser humano, cretinização da opinião pública, desacerto dos cortes entre uma seqüência e outra, imposição de bandas sonoras importadas de péssima qualidade, mitificação da mediocridade, abuso de autoridade e desrespeito ao próximo, nível ginasiano da representação...
Não falaremos dos comerciais porque aí o panorama é ainda mais desolador.
Rogério Sganzerla, maio de 1988.
Clique aqui e assista a um trecho do filme Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla.
Clique aqui e leia na íntegra o texto do qual foi retirado o trecho acima.
Clique aqui e leia outros textos de e sobre Sganzerla.
DOWNLOAD: ANTONIO CARLOS & JOCAFI - MUDEI DE IDÉIA - 1971 - 192Kbps
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Eles deram o pontapé inicial para a legalização do consumo de drogas na Holanda. Eles transformaram a bicicleta no mais folclórico meio de transporte de Amsterdam. Eles desenharam o uniforme que os Beatles usavam na capa de Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band.
Como bons anarquistas que eram, os Provos (corruptela do termo "provokatie", ou "provocação") não chegaram a caracterizar um movimento organizado, menos ainda uma ideologia. A intenção desses jovens tresloucados do início dos anos 60 era debochar o mais cinicamente das tradições monárquicas holandesas da Casa Real de Orange e sua protegé , a burguesia consumista - o que conseguiram fazer com o máximo de diversão e ousadia. Ao contrário de seus irmãos caçulas, os românticos hippies, não desejavam mudar o mundo: " Não podemos convencer as massas, e talvez sequer nos interesse fazer isso. O que podemos esperar deste bando de apáticas, indolentes, tolas baratas? É mais fácil o sol surgir no oeste do que eclodir uma revolução nos Países Baixos (...) O homem médio é um comedor de repolhos, improdutivo, não-criativo, emotivo. Alguém que se diverte fazendo fila nos guichês", dizia a primeira de uma incendiária série de edições de revistas "Provo". E ainda: "Provo tem consciência de que no final perderá, mas não pode deixar escapar a ocasião de cumprir ao menos uma qüinquagésima e sincera tentativa de provocar a sociedade".
DOWNLOAD: MIGUEL DE DEUS - BLACK SOUL BROTHERS - 1977 - 320 Kbps
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DOWNLOAD: MICATONE - NOMAD SONGS - 2005 - 192Kbps
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Viver neste planeta não é tão agradável quanto poderia ser. É óbvio que alguma coisa não deu certo na espaçonave Terra, mas o quê? Talvez um equívoco fundamental quando a natureza (ou quem quer que tenha sido) resolveu pôr em prática a idéia "Ser Humano". Ora. Por que deveria esse animal andar sobre duas pernas e começar a pensar? Mas, enfim, quanto a isso não há muita escolha - temos que aprender a lidar com esse erro da natureza, isto é, nós mesmos. Erros existem para aprendermos com eles.
Em tempos pré-históricos o negócio não parecia tão mau. Durante o Paleolítico, cinqüenta mil anos atrás, éramos muito poucos. Havia comida abundante (caça e vegetais), e sobreviver exigia só um tempinho de trabalho com esforços modestos. Catar raízes, castanhas ou amoras (não esquecer cogumelos) e matar (ou melhor, pegar na arapuca) coelhos, cangurus, peixes, pássaros ou gamos levava duas a três horas por dia. Repartíamos a carne e os vegetais com os outros e passávamos o resto do tempo dormindo, sonhando, tomando banho de mar e de cachoeira, fazendo amor ou contando histórias. Alguns de nós começaram a pintar as paredes das cavernas, a esculpir ossos e troncos, a inventar novas armadilhas e canções.
Perambulávamos pelos campos em bandos de vinte e cinco, mais ou menos, com um mínimo de bagagem e pertences. Preferíamos climas suaves, como o da África, e não havia civilização para expulsar a gente em direção aos desertos, tundras e montanhas. O Paleolítico deve ter sido mesmo um bom negócio, a se acreditar nos recentes achados antropológicos. É por isso que ficamos nele por milhares de anos - um período longo e feliz, comparado com os dois séculos do atual pesadelo industrial.
Aí alguém começou a brincar com plantas e sementes e inventou a agricultura. Parecia uma boa idéia: não tínhamos mais que andar procurando vegetais. Mas a vida ficou mais complicada e trabalhosa. Éramos obrigados a ficar no mesmo lugar por vários meses, a guardar sementes para o plantio seguinte, a planejar e executar o trabalho nos campos . E ainda precisávamos defender as roças dos nossos primos nômades, caçadores e coletores que insistiam em que tudo pertencia a todo mundo.
Começaram os conflitos entre fazendeiros, caçadores e pastores. Foi preciso explicar aos outros que havíamos trabalhado para acumular nossas provisões, e eles nem tinham uma palavra para trabalho.
O planejamento, a reserva de comida, a defesa, as cercas, a necessidade de organização e autodisciplina abriram caminho para organismos sociais especializados como igrejas, comandos, exércitos. Criamos religiões com rituais de fertilidade para nos manter convictos da nossa nova escolha de vida. A tentação de voltar à liberdade de caçadores e coletores deve ter sido uma ameaça constante; e, fosse com patriarcado ou matriarcado, estávamos a caminho da instituição, família e propriedade.
Com o crescimento das antigas civilizações na Mesopotâmia, Índia, China e Egito, o equilíbrio entre os humanos e os recursos naturais estava definitivamente arruinado. Programou-se aí o futuro enguiço da espaçonave. Organismos centralizadores desenvolveram sua própria dinâmica; tornamo-nos vítimas da nossa criação. Em vez de duas horas por dia, trabalhávamos dez ou mais nos campos ou nas construções dos faraós e césares. Morríamos nas guerras deles, éramos deportados como escravos quando eles resolviam, e quem tentasse voltar à liberdade anterior era torturado, mutilado, morto.
Com o início da industrialização as coisas não melhoraram. Para esmagar as rebeliões na lavoura e a crescente independência dos artesãos nas cidades, introduziu-se o sistema de fábricas. Em vez de capatazes e chicotes, usavam máquinas. Elas comandavam nosso ritmo de ação, punindo automaticamente com acidentes, mantendo-nos sob controle em vastos galpões. Mais uma vez progresso significava trabalho e mais trabalho, em condições ainda mais assassinas. A sociedade inteira, em todo o planeta, estava voltada para uma enorme Máquina do Trabalho. E essa Máquina do Trabalho era ao mesmo tempo uma Máquina da Guerra para qualquer um - de dentro ou de fora - que ousasse se opor. A guerra se tornou industrial, como o trabalho; aliás, paz e trabalho nunca foram compatíveis. Não se pode aceitar a destruição pelo trabalho e evitar que a mesma máquina mate os outros; não se pode recusar a própria liberdade sem ameaçar a liberdade alheia. A Guerra se tornou tão absoluta quanto o Trabalho.
A nova Máquina do Trabalho criou grandes Ilusões sobre um futuro melhor. Afinal, se o presente era tão miserável, o futuro só podia ser melhor. Até mesmo as organizações de trabalhadores se convenceram de que a industrialização estabeleceria bases para uma sociedade mais livre, com mais tempo disponível, mais prazeres. Utopistas, socialistas e comunistas acreditaram na indústria. Marx pensou que com essa ajuda os humanos poderiam caçar, fazer poesia, gozar a vida novamente. (Pra que tanta volta?) Lenin e Stalin, Castro e Mao e todos os outros pediram Mais Sacrifício para construir a nova sociedade. Mas mesmo o socialismo não passava de um novo truque da Máquina do Trabalho, estendendo seu poder às áreas onde o capital privado não chegaria. À Máquina do Trabalho não importa ser manejada por multinacionais ou por burocracias de Estado, seu objetivo é sempre o mesmo: roubar nosso tempo para produzir aço.
A Máquina do Trabalho e da Guerra arruinou definitivamente nossa espaçonave e seu futuro natural: os móveis (selvas, bosques, lagos, mares) estão em farrapos; nossos amiguinhos (baleias, tartarugas, tigres, águias) foram exterminados ou ameaçados; o ar (fumaça, chuva ácida, resíduos industriais) é fedorento e perdeu todo o sentido de equilíbrio; as reservas (combustíveis fósseis, carvão, metais) vão se esgotando; e está em preparo (holocausto nuclear) a completa autodestruição. Não somos capazes nem de alimentar todos os passageiros desta nave avariada. Ficamos tão nervosos e irritáveis que estamos prontos para os piores tipos de guerra: nacionalistas, raciais ou religiosas. Para muitos de nós, o holocausto nuclear não é mais uma ameaça, mas a bem-vinda libertação do medo, do tédio, da opressão e da escravidão.
Três mil anos de civilização e duzentos de acelerado progresso industrial deixaram a gente com uma enorme ressaca. A tal da economia se tornou um objetivo em si mesma, e está quase nos engolindo. Este hotel aterroriza seus hóspedes. Mesmo a gente sendo hóspede e hoteleiro ao mesmo tempo.
Esse é o primeiro capítulo do Manifesto Bolo'Bolo: "Uma Grande Ressaca".
Clique aqui e leia o manifesto na íntegra.

SOUL PRIDE: THE INSTRUMENTALS (1960-1969)
LIVE AT THE APOLLO THEATRE, HARLEM, NY - 1962
THE PAYBACK - 1974 -


DOWNLOAD: RAS MICHAEL & SONS OF NEGUS - LOVE THY NEIGHBOUR - 192Kbps


DOWNLOAD: TOM ZÉ - 1968 - 192Kbps
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